A história de Pedro Bernardo Grosse, cidadão de Luziânia (GO) que faleceu aos 79 anos, por complicações da covid-19, no último dia 14/2, poderia ter se encerrado como tantas outras, sem uma marca na vida da comunidade e de sua família. No entanto, ‘seu’ Pedro deixou um legado. E sua passagem pelo mundo ganhou "um quê" de eternidade em seu fiel amigo: Pepe, um de seus mascotes durante a vida, que o acompanhou até o fim, literalmente.
O cachorro foi um presente do vizinho Valdilei da Silva Freitas, o Val, que aconselhou Pedro a ficar com o cãozinho, depois que ele seguiu o idoso até a casa dele. O animal de estimação anterior de Seu Pedro, a cadela Nina, faleceu antes da amizade eterna com Pepe começar. “Segundo o Val, foi o Pepe que escolheu meu tio”, afirma o sobrinho de Pedro, Júnior Grosse, 44. “Ele sempre teve um carinho muito grande pelos animais. Inclusive, os animais retribuíam as gentilezas e os carinhos dele”, comenta.
Seu Pedro, um senhor solitário, deixou a casa sozinha quando foi levado para o hospital, numa emergência. Ele delegou aos vizinhos os cuidados com o amigo de quatro patas. Isso aconteceu no dia 22 de janeiro, quando Pedro foi encontrado desacordado em casa, já infectado com o vírus da covid-19. A vizinhança acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que conduziu o idoso a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), remanejando o paciente para o Hospital Regional de Luziânia (HRL) em seguida.
Pouco tempo depois, mesmo sendo alimentado por um dos vizinhos da rua, a inquietude tomou Pepe, que fugiu pelo portão de casa, à procura do dono. O mistério da fuga foi solucionado no dia 5/2, quando o vizinho, Val, foi ao hospital onde 'seu' Pedro estava internado, para receber informações. O fiel amigo do paciente estava há duas semanas fora de casa, e foi encontrado na entrada do hospital. Segundo relato do sobrinho, o guarda de segurança do hospital alimentava Pepe esporadicamente, percebendo que ele estava há muito tempo (cinco dias, segundo o vigilante) na porta da unidade médica. O mascote estava magro e com um corte na perna, provavelmente derivado da saga após a fuga.
Pepe foi resgatado pelos vizinhos de 'seu' Pedro. Ele recebeu cuidados médicos com vermífugos e vitamínicos, para debelar a desnutrição. Infelizmente, 'seu' Pedro não resistiu e faleceu no dia 14. O cachorro, agora mora na casa de Júnior, e será a companhia os filhos dele. “Tenho um filho de um ano e dois meses e outro de três anos e meio. Eles gostam muito de animais, assim como meu tio. Esperamos coisas boas, com ele, daqui em diante”, afirma, destacando a alegria de adotar o escudeiro de seu tio.
Sobre a epopeia de Pepe, Júnior garante ser algo inexplicável. “É um mistério saber como ele achou o hospital. Meu tio não levava ele para passear, então ele ficava sempre recluso em casa. Independente de como ele realizou esta façanha, ela é uma prova de carinho, lealdade e devoção ao dono e amigo dele”, diz Júnior, admirando a fidelidade do cão. A amizade entre Pepe e 'seu' Pedro perdurou por oito anos, e mostra o que é ser "o melhor amigo do homem".
Pepe voltou para a posse da família nesta terça-feira (1/3). O mascote se adaptou bem aos novos donos e à nova casa, no Lago Norte, recuperando o comportamento alegre de um cachorro que se sente novamente em casa.
*Estagiário sob a supervisão de Layrce de Lima.
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