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Casos de chikungunya têm aumento de 826,6% e disparam no Distrito Federal

Doença transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti teve um aumento considerável na capital ao longo de 2022

Renata Nagashima
postado em 02/04/2022 06:00
Salete Moura, adoeceu em 2017:
Salete Moura, adoeceu em 2017: "Só ficava deitada", conta. - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O Distrito Federal já tem 826,6% mais casos de chikungunya em 2022 do que no ano passado. O mais recente boletim epidemiológico das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti, divulgado nesta sexta-feira (1/4) pela Secretaria de Saúde (SES-DF), mostra que, desde o início do ano, já foram registrados 139 casos na capital.

Foram notificados 233 casos suspeitos de febre chikungunya. Desses, 209 pessoas tiveram a doença confirmada. A cidade com mais casos no DF é Planaltina, onde 11 pessoas foram diagnosticadas com a doença. Logo em seguida, aparecem Samambaia e Taguatinga, com dez casos cada, Plano Piloto com nove e Santa Maria com oito pessoas. Entre os casos prováveis, 70 foram registros de residentes de outras unidades da Federação, sendo 69 de Goiás.

A chikungunya pode evoluir em três fases. A aguda dura de 5 a 14 dias e os sintomas são febre, fadiga e dores no corpo. A fase pós-aguda pode durar até três meses. Nela, as dores podem se intensificar e atingir as articulações das mãos, pés, tornozelos e joelhos. O último estágio é o crônico, no qual permanecem as dores nas juntas e corpo persistem por mais de três meses. Outros sintomas que podem surgir são erupção avermelhada na pele, náuseas e vômitos, calafrios e diarreia.

Ainda não há tratamento antiviral específico para a doença. A terapia utilizada é analgesia e suporte. O Ministério da Saúde recomenda hidratação e busca de avaliação médica para recomendação do melhor tratamento, de acordo com a fase da doença.

"Uma das piores coisas que já peguei." É assim que Maria Salete de Moura Duarte, 59 anos, moradora de Águas Claras, define os momentos que passou quando teve chikungunya, em 2017. "Eu só ficava deitada, tinha muita febre e tudo em mim doía. Era uma dor inexplicável. Além de dores no corpo, febre, eu estava toda empolada, coçando e com a boca cortando por causa dos remédios", conta. A comerciária lida com as sequelas até hoje. "Eu tive artrite, com isso meus dedos ficaram tortos. Eu tive uma dor no ombro e passei seis meses sem conseguir fazer nada porque doía demais", relata.

Eliminar pontos de água parada, que são criadouros do mosquito Aedes aegypti é a forma mais eficiente de combater a chikungunya e outras doenças transmitidas por ele, como a dengue, a zika e a febre amarela. Segundo, o subsecretário de Vigilância à Saúde, Divino Valero, é fundamental que as pessoas eliminem os criadouros em suas casas, trabalho e na vizinhança. "O uso do fumacê é reconhecido e descrito mundialmente como o método mais eficaz para se fazer bloqueio em processo de transmissão", acrescenta.

 


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