SAÚDE

Casos prováveis de dengue no DF superam números da fase pré-pandemia

Em quatro meses, quantidade de registros superou em 170% os números do primeiro quadrimestre de 2019 e foi 531% maior que o total verificado no mesmo período do ano passado

Pedro Marra
Renata Nagashima
postado em 11/05/2022 06:00
Recipientes com água parada favorecem proliferação de larvas do mosquito Aedes aegypti -  (crédito: ED ALVES/CB/D.A.Press)
Recipientes com água parada favorecem proliferação de larvas do mosquito Aedes aegypti - (crédito: ED ALVES/CB/D.A.Press)

A crise sanitária do Distrito Federal não se resume à pandemia da covid-19. Os casos de dengue tiveram crescimento significativo neste ano. O Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde mais recente, divulgado na sexta-feira (6/5), mostrou que, de janeiro à última quarta-feira (4/5), a capital do país registrou 33,6 mil casos da doença. A quantidade é 170% superior ao registrado no mesmo período de 2019, antes do surgimento do novo coronavírus (12,4 mil), e 531% maior que o verificado no primeiro quadrimestre de 2021 (5,3 mil — leia Registros). A queda teve o isolamento social como um dos principais motivos.

Os dados de pouco mais de quatro meses superam, ainda, o total do ano passado (15 mil) em 124%. Uma das pessoas acometidas pela doença neste ano foi a professora de música Any Kelly Lima da Silva, 22 anos. Após sentir fortes incômodos no corpo e ter febre alta, ela recebeu o diagnóstico pela primeira vez. "Tomei remédios, e eles ajudaram a aliviar os sintomas por uma hora, mais ou menos. Mas os sinais voltaram depois. E a dor nas costas foi terrível", relata a moradora do Sol Nascente.

Apesar do aumento no número de casos, a quantidade de mortes foi menor neste ano, em relação a 2021. No ano passado, a SES-DF registrou nove óbitos por dengue até 4 de maio. No mesmo período deste ano, a pasta notificou uma. Para Marina Garajau, 59, a doença foi uma das piores que teve na vida. "Comecei a sentir algo ruim no corpo e fiquei mal muito rápido. Estava com moleza, e era algo avassalador, uma sensação horrível. Nunca tinha tido isso, então fiquei extremamente assustada", conta.

O pior momento da dengue no Distrito Federal está previsto para os próximos dias. Na última quinta-feira (5/5), o secretário-adjunto de Assistência à Saúde, Pedro Zancanaro, disse à imprensa que a alta mais significativa dos casos deve ocorrer entre a primeira e a segunda quinzenas de maio. "Ainda não chegamos no pico da dengue, mas estamos preparados", declarou. Para o chefe da SES-DF, Manoel Pafiadache, o prognóstico preocupa. "Recentemente, recebemos equipamentos de fumacê para reforçar os trabalhos nas áreas (mais atingidas), para que tenhamos o máximo de controle possível. (Hoje,) 97% dos focos do mosquito estão nas residências, e só 3% ou 4%, em área pública", detalhou o secretário.

Registros

Casos prováveis (1º/1 a 4/5)
2019 — 12.438
2020 — 23.090
2021 — 4.570
2022 — 33.635

Mortes
2019 — 10
2020 — 12
2021 — 9
2022 — 1

Como prevenir?
A melhor forma de evitar a dengue é combater os focos de acúmulo de água, criadouros do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti. É importante deixar acúmulo em itens como latas, embalagens, copos plásticos, tampas de refrigerantes, pneus velhos, vasos de plantas, jarros de flores, caixas d’água, cisternas, sacos plásticos, lixeiras, entre outros.

Fonte: Secretaria de Saúde do Distrito Federal e Ministério da Saúde

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