SAÚDE

Dengue: saiba identificar sintomas e eliminar criadouros do mosquito

Pessoas infectadas relatam que os sintomas da doença incluem febre, dores no corpo, na cabeça e fraqueza. Apesar de se manifestar majoritariamente de forma leve, o quadro pode levar à morte; por isso, é necessário procurar atendimento médico

Ana Isabel Mansur
Thaís Moura
postado em 27/04/2022 05:44 / atualizado em 27/04/2022 05:46
Sebastião Fernandes está com sintomas de dengue há uma semana e tem feito acompanhamento na UBS 1 da Asa Norte, recebendo tratamento com soro -  (crédito: Fotos: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)
Sebastião Fernandes está com sintomas de dengue há uma semana e tem feito acompanhamento na UBS 1 da Asa Norte, recebendo tratamento com soro - (crédito: Fotos: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)

Em meio ao aumento de 548% nos casos de dengue no Distrito Federal, é importante prestar atenção aos sintomas da doença e buscar uma unidade de saúde o quanto antes. Os sinais da infecção incluem febre, dores no corpo e de cabeça, fraqueza e manchas pelo corpo. Apesar de se manifestar majoritariamente de forma leve ou moderada, a dengue pode levar a quadros complicados. "Pacientes com sinais de alarme, como dor abdominal intensa e sangramentos, precisam procurar imediatamente atendimento médico, porque as formas graves da dengue podem evoluir inclusive para óbito", alerta André Bon, infectologista do Hospital Brasília.

O comerciante Sebastião Fernandes, 66 anos, começou a sentir febre, desconforto, sensibilidade na pele e dor no corpo na terça-feira da semana passada. O morador da Asa Norte não demorou para buscar a unidade básica de saúde (UBS) da região onde mora. Sebastião tomava soro intravenoso enquanto conversou com o Correio, nessa terça-feira (26/4), no posto. "Estou aqui, sendo muito bem atendido e em processo de melhora, porque, se a gente não corre atrás, pode piorar muito. Fiquei com medo de morrer. É muito triste, dolorido e desgastante", desabafa o comerciante, que ficou com os pés e as mãos vermelhos por conta da doença.

"Estou tomando muita água, que foi a orientação. É uma desidratação intensa que a doença causa", completa Sebastião. Ele admite que, até adoecer, não estava atento aos cuidados contra a dengue. "Nunca tive muita preocupação com isso, porque a gente acha que não vai acontecer com a gente", relata o morador da Asa Norte, que se compromete a prestar atenção, daqui em diante.

Eliana Santos passou a tomar mais cuidados para evitar a proliferação do mosquito após contrair a doença
Eliana Santos passou a tomar mais cuidados para evitar a proliferação do mosquito após contrair a doença (foto: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)

A enfermeira Gizele Pessoa, 37 anos, contraiu dengue em março deste ano e, mesmo curada, sente as consequências. "Até hoje tenho manchas pelo corpo", conta a moradora de Águas Claras, que não sabe onde foi picada pelo mosquito. O marido de Gizele, o tenente da Marinha Jaumeir Eugênia Pereira, 41, também teve a doença. "Pegamos juntos e melhoramos juntos, depois de oito dias tomando soro, Dipirona e indo ao hospital tirar sangue para medir o nível das plaquetas. Os médicos pediam para nos hidratarmos bastante", relata. Jaumeir não ficou com sequelas, mas sentiu o baque da dengue. Ele e a esposa tiveram fraqueza, dores nas articulações e de cabeça, além de vômito e febre.

Após sentir na pele os efeitos da dengue, a aposentada Eliana Santos, 53, ficou mais atenta às medidas contra a proliferação do mosquito. "Eu cuido muito das plantas, sempre checando se tem água parada. E nos ralos também", relata a moradora do Cruzeiro Novo, que procurou atendimento médico logo que começou a sentir os sintomas da doença. "Era muita dor de cabeça, muita dor no corpo, com manchas pelo corpo e dor na vista. Fui ao ambulatório, me hidratei bastante e fiquei de repouso", conta Eliana.

Débora Moura Costa, gerente da UBS 1 da Asa Norte, tem percebido aumento da demanda de pacientes com sintomas de dengue na unidade. "A procura cresceu muito em relação à semana passada. O paciente vem em busca de tratamento contra os sintomas, com muita dor e febre", relata a profissional. "A primeira orientação é em relação ao ambiente em que está, porque provavelmente é um local que pode infectar outras pessoas. Orientamos para proteção da família e de pessoas próximas, além do cuidado pessoal, com hidratação e observação dos sinais de alerta", completa Débora.

O perigo da automedicação

Apesar de ser um hábito comum entre os brasileiros, tomar remédios por conta própria pode ser perigoso. “A automedicação pode causar eventos adversos. Mesmo os medicamentos vendidos livremente nas gôndolas das farmácias não são isentos de risco. O paciente pode desenvolver um quadro alérgico, ter reação a superdosagens ou haver interação com outros remédios”, explica a infectologista Ana Helena Germoglio. No caso da dengue, não é diferente. “Existem alguns medicamentos que não devem ser utilizados, sob risco de piorar o sangramento que a doença pode causar, por exemplo. Sabemos que é difícil conseguir atendimento em algumas circunstâncias, mas deve-se evitar qualquer automedicação, seja para dengue ou qualquer outra doença”, completa a médica.

Fique atento!

Principais sintomas:

  • Febre alta
  • Dor de cabeça e no corpo
  • Dor atrás dos olhos
  • Fraqueza
  • Falta de apetite
  • Náuseas/vômitos
  • Manchas pelo corpo
  • Coceira

Sinais de gravidade

  • Dor abdominal intensa e contínua
  • Tonturas e desmaios
  • Sangramentos de gengiva, nariz ou outras hemorragias

Cuidados contra o mosquito

  • Mantenha a casa arejada durante o dia
  • Retire galhos e folhas das calhas
  • Garrafas devem estar guardadas e viradas com a boca para baixo
  • Guarde os pneus em locais cobertos
  • Mantenha em dia a manutenção das piscinas
  • Mantenha lajes sempre limpas
  • Tampe os tonéis e caixa d’água
  • Ralos devem estar sempre limpos e com telas de proteção
  • Preencha pratinhos de plantas com areia e lave-os uma vez por semana
  • Estique bem as lonas de proteção para evitar acúmulo de água
  • Feche bem os sacos de lixo e coloque-os longe do alcance de animais
  • Mantenha latinhas com a boca para baixo
  • Limpe a bandeja do ar-condicionado
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