Crime

Animais são encontrados mortos em geladeiras e sacos de ração em Brazlândia

Polícia Civil do DF (PCDF) investiga o caso por meio da 18ª Delegacia (DP). Na última terça-feira (17/05), foi feita a perícia do local. Corpos de cães e gatos foram encontrados em sacos de ração em geladeira

Thaís Moura
postado em 18/05/2022 12:15
Outros cachorros vivem no local, em condições precárias, segundo representante da OAB-DF -  (crédito:  Divulgação/OAB-DF)
Outros cachorros vivem no local, em condições precárias, segundo representante da OAB-DF - (crédito: Divulgação/OAB-DF)

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga uma denúncia de maus-tratos a animais em uma chácara na área rural de Brazlândia. O local seria um suposto abrigo de animais mas, na última sexta-feira (13/05), protetores de animais encontraram corpos de cães e gatos dentro de congeladores, freezers e em sacos de ração da propriedade. Nesta terça-feira (17/5), foi feita a perícia do local e, agora, os policiais aguardam o resultado.

A vice-presidente da Comissão de Direitos dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), Ana Paula Vasconcelos, informou ao Correio que o local já ficou abandonado outras vezes. Ela contou que a denúncia chegou até ativistas que atuam na proteção de animais de forma voluntária e que, ao chegarem no local, eles se depararam com a situação. Segundo a advogada, trata-se de uma “situação antiga”.

  • Ossadas de animais foram encontradas em sacos de ração. Divulgação/OAB-DF
  • : Outros cachorros vivem no local, em condições precárias, segundo representante da OAB-DF. Divulgação/OAB-DF
  • Ossadas de animais foram encontradas em sacos de ração. Divulgação/OAB-DF

“Alguns protetores de animais do DF vêm acompanhando a situação na chácara há muito tempo. O dono do lugar é um funcionário público e tem muita resistência em receber ajuda. Cerca de um mês atrás, ele se ausentou do abrigo porque foi internado, e alguns protetores locais tiveram acesso e foram lá alimentar os animais. Ficaram um tempo lá cuidando dos animais. Quando ele voltou, expulsou todo mundo de lá, registrou ocorrência contra as pessoas que estavam lá, e agora, na semana passada, tomamos conhecimento de novo de que esses animais estavam abandonados”, explicou a advogada.

“Diante disso, na última sexta-feira, formamos uma força-tarefa para tentar ir lá e amenizar o sofrimento, e o dono do local não estava, quem permitiu a entrada foi a família dele. Nisso, vimos que os animais já estavam há muitos dias sem comida, com fome e sede, e um voluntário local encontrou diversos cães e gatos mortos na propriedade”, acrescentou Ana Paula.

De acordo com ela, no entanto, quando os voluntários voltaram ao local, na última terça-feira (17/5), os vestígios dos animais mortos haviam desaparecido. Agora, a preocupação é com os cães e gatos que ainda vivem na propriedade. “Esperamos muito que o dono do local responda pelo crime de maus-tratos, porque já é uma situação muito antiga”, disse.

Procurada pelo Correio, a PCDF informou que o voluntário responsável por registrar a ocorrência de maus-tratos disse ter comparecido à propriedade em 10 de março para ajudar na limpeza dos canis e no tratamento dos cães lá abrigados. No entanto, ao retornar com outros funcionários, dois dias depois, o dono da chácara impediu a continuidade do trabalho e a retirada de animais doentes.

Um dia depois, segundo a PCDF, o homem teria ido até a residência do voluntário para reclamar que os animais estavam sem alimentação e sem limpeza. Ele respondeu que o trabalho não era de sua responsabilidade, pois foi impedido anteriormente de continuar os cuidados. Ainda de acordo com a investigação, na última sexta-feira (13/5) a mulher do proprietário do suposto abrigo de animais entrou em contato com os voluntários que faziam a limpeza do espaço e pediu ajuda com os animais. Ela teria informado que o marido passou mal, foi internado, e que afirmou não ter condições de cuidar dos animais e nem de custear os gastos.

“O fato está sendo apurado pelos policiais da unidade”, informou a assessoria da PCDF, em nota. O delegado da 18ª DP, Roney Teixeira, que investiga o caso, disse ao Correio que os policiais aguardam o resultado da perícia feita no local.

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