Luto

Missionário morto a tiros na África se preparou em igreja do DF

Há 12 anos em Nairóbi, no Quênia, onde combatia o abuso de jovens e refugiados de guerra, o pastor Francisco Antônio Chagas Barbosa, 40, foi morto a tiros após ser sequestrado

Pedro Marra
postado em 10/06/2023 19:22
Missionário Francisco Antônio Chagas Barbosa, 40, morto a tiros em Nairóbi, no Quênia -  (crédito: Reprodução/Redes sociais)
Missionário Francisco Antônio Chagas Barbosa, 40, morto a tiros em Nairóbi, no Quênia - (crédito: Reprodução/Redes sociais)

O missionário brasileiro Francisco Antônio Chagas Barbosa, de 40 anos, foi morto a tiros, neste sábado (10/6), após ser sequestrado, em Nairóbi, no Quênia. Há 12 anos no país africano, onde combatia o abuso de jovens, o tráfico humano e atendia viúvas e refugiados de guerra, ele fazia duas visitas por ano a amigos na Igreja Episcopal Nova Vida, em Planaltina, no Distrito Federal.

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No centro religioso, Francisco se preparou para ser missionário, função que o bispo Nilson Cezar Marques Rodrigues, 46, acompanhou de longe e também na África Oriental, junto do colega. Ele se lembra de uma situação inusitada, em outubro do ano passado, quando eles realizaram um torneio de futebol na Somália, para jovens e crianças, enquanto havia homens armados com metralhadoras ao fundo, de um grupo radical islâmico.

“Conseguimos um momento de descontração com os jovens. Foi muito forte isso porque vimos a simplicidade de uma coisa pequena (o jogo) que trouxe a alegria daqueles. Compramos bolas, um troféu, e fizemos um torneio de futebol lá, que foi muito bem recebido pelas crianças”, relembra.

  • Missionário Francisco Antônio Chagas Barbosa, 40, morto a tiros em Nairóbi, no Quênia Reprodução/Redes sociais
  • Missionário Francisco Antônio Chagas Barbosa, 40, morto a tiros em Nairóbi, no Quênia Reprodução/Redes sociais
  • Missionário Francisco Antônio Chagas Barbosa, 40, morto a tiros em Nairóbi, no Quênia Reprodução/Redes sociais

Por atitudes como essa, o bispo define Francisco como um homem extremamente otimista, com muito vigor. “Ele era muito alegre e estava sempre muito de bem com a vida e com todo mundo. Amava cuidar das pessoas”, comenta.

Bispo Nilson Cezar conclui que não tem nenhum pesar pela morte de Francisco, pois os missionários acreditam que estão em área de risco em prol da cumprir a missão de cuidar das pessoas socialmente vulneráveis. “Vamos aos confins da Terra por um propósito, cumprindo a vontade de Deus, cuidando de cada povo, tribo, língua e nação”, completa.

Informações da Missão Cristã Mundial, grupo no qual o missionário prestava serviços, constam que ele desapareceu na quarta-feira (7/6), quando saiu para ir ao supermercado, mas não voltou para onde residia, em Nairóbi. Francisco era natural de Varjota, no Ceará, distante cerca de 200 quilômetros da capital Fortaleza.

Esposa dá detalhes sobre o caso

Em um vídeo publicado na internet, a esposa do missionário, Franciane Barbosa, diz que a Embaixada do Brasil no Quênia procurou a família do pastor e informou que a polícia local que investiga o caso conseguiu imagens do carro de Francisco. "Dois homens pegaram ele, que tentou sair do carro. Nesse momento, ele foi executado. E sem saberem o que fariam, tocaram fogo no carro", detalha.

Aproveitando a ocasião, a viúva do pastor agradece o que o Espírito Santo está fazendo na vida dela e dos irmãos da religião, sabendo que o marido está com Deus. “As orações de vocês têm fortalecido muito aqui neste lugar”, diz ela, com um colega de missão ao lado.

Confira o vídeo.

A reportagem entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores para saber mais informações sobre o apoio à família de Francisco, mas ainda não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

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