Saúde

Voluntários se unem para auxiliar no tratamento de pacientes da dengue

Ao todo, 720 profissionais voluntários de saúde trabalham distribuídos entre tendas, UBS de Vicente Pires e Hospital de Campanha (HCamp). Ação tem ajudado a acelerar os atendimentos nas unidades que continuam lotadas

Tenda para atendimento na administração regional da Ceilândia -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Tenda para atendimento na administração regional da Ceilândia - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
postado em 25/02/2024 04:23

O time de profissionais de saúde que estão trabalhando no combate à dengue no Distrito Federal foi reforçado. Desde 17 de fevereiro, as nove tendas montadas para atendimento dos pacientes com sintomas da doença ganharam o apoio de 720 profissionais de saúde voluntários que também foram distribuídos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Vicente Pires e no Hospital de Campanha (HCamp). O Correio esteve ontem nas tendas de Ceilândia e Samambaia e observou um fluxo de atendimento mais rápido por conta do reforço de pessoal. O volume de pessoas com sintomas buscando auxílio médico, no entanto, permanece alto.

Segundo o painel de monitoramento da Secretaria de Saúde (SES-DF), em 2024, até o momento, foram realizados mais de 100 mil atendimentos a pacientes com sintomas de dengue. Segundo o último boletim epidemiológico, neste ano, foram detectados 79.596 casos prováveis no DF.

Na tenda de Ceilândia, terceira região administrativa com maior incidência de casos — ficando atrás apenas de Brazlândia e Sol Nascente/Pôr do sol —, a média diária de pacientes atendidos com sintomas da infecção é de 250. "Desses, nós temos transportado, em média, 10 pacientes mais críticos ao hospital", informou o coordenador da tenda, Henrique Queiroz. "O Hospital de Campanha tem ajudado a não deixar demanda reprimida, na região. Aqui funciona até as 19h e lá eles ficam 24 horas, então quando aqui nós não estamos mais atendendo, encaminhamos para lá", acrescentou.

Bárbara Guedes, 24 anos, garçonete, trabalha em um restaurante próximo à tenda de Ceilândia e, ao sentir tontura, fraqueza e dores nas articulações, resolveu procurar atendimento. "Me receitaram soro e vitamina na veia", relatou. "Eu não tenho plano de saúde, então sempre que preciso vou às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), mas evito ao máximo ter que ir, porque dificilmente consigo atendimento e, quando consigo, demora tempo demais", completou.

A aposentada Maria Helena da Silva, 71 anos, começou a sentir sintomas de dengue na sexta-feira e, ontem, buscou atendimento na tenda de Ceilândia. "Moro sozinha e tenho um inquilino que aluga uma parte da casa. Ele também está com dengue", contou, alertando para a importância de checar focos de dengue, principalmente quando o morador divide o imóvel.

De acordo com o último boletim epidemiológico da dengue, divulgado, na terça-feira, pela Secretaria de Saúde, dos 81.408 casos prováveis da doença, 1.695 eram de moradores de Goiás. Flávia Franciely, 22, trabalha como caixa em Ceilândia e é moradora de Águas Lindas-GO. Por estar no trabalho, quando sentiu os sintomas se agravarem, procurou a tenda de Ceilândia, após três dias de sintomas. "No início, ainda estava dando para trabalhar, mas hoje piorou e eu vim."

Ainda na tenda de Ceilândia, o Correio presenciou um paciente sendo transportado ao hospital, após apresentar agravamento dos sintomas. Samuel, de apenas 7 anos, foi levado pela mãe à tenda, testou positivo para dengue e foi transferido em uma ambulância do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC). "Meu filho tem a deficiência G6PD, uma condição que provoca o rompimento dos glóbulos vermelhos em resposta a certos medicamentos, infecções ou outros fatores de estresse", explicou a mãe de Samuel, a autônoma Suzana Lopes Silva, 39 anos. "Como foi observado sangue nas fezes, os médicos acharam melhor transportar ao hospital", esclareceu a mãe.

Vômitos persistentes são considerados sinais de alarme por infectologistas. Na tenda de Samambaia, Lynna Pereira de Silva, 39, levou a filha Melissa, 6 anos, para buscar atendimento. "Ela acordou reclamando de dor nas pernas, nos olhos, dor de cabeça, vomitou duas vezes", detalhou a mãe.

Dia D

O governo do Distrito Federal (GDF) está realizando, aos sábados, ações de mobilização para combate à dengue nas regiões administrativas. Ontem, foi a vez do Varjão. Equipes da Secretaria de Saúde (SES-DF) atuaram tanto no atendimento aos pacientes com sintomas da doença como na vacinação. Um total de 26 profissionais da área de saúde trabalharam no evento ontem, em diversas funções, incluindo uma equipe da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). No próximo sábado, o dia D será realizado no Sol Nascente.

Além de procurar focos do mosquito transmissor, mais de 300 servidores da SES-DF e do Corpo de Bombeiros (CBMDF) conversaram com moradores sobre como evitar a proliferação do Aedes aegypti. A vice-governadora Celina Leão (PP) participou da ação e ressaltou o que o GDF tem feito no combate à doença. "O governo do Distrito Federal se colocou à frente dos problemas, tem administrado e ampliado cada vez mais o atendimento à população, seja com as tendas, e hoje aqui nessa ação social", afirmou. "A gente entende a importância de o governo estar presente ao lado da comunidade, temos a oportunidade não só de trazer serviços, mas de ouvir a população, as demandas e as reivindicações", concluiu.

 

» CB.Debate

O Correio Braziliense realizará dia 29, às 9h, o debate “Dengue, uma luta de todos”. O evento acontecerá no auditório do jornal, e tem o objetivo de mobilizar autoridades e população para o combate à epidemia. O debate será transmitido ao vivo pelas redes sociais. Confira mais detalhes no QR Code.

  •  Bárbara Guedes trabalha em um restaurante e se sentiu mal
    Bárbara Guedes trabalha em um restaurante e se sentiu mal Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
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