Maria de Lourdes Freire tinha 25 anos e não escondia o apreço e a paixão pela música. Nas redes sociais, quase todas as fotos repetiam a mesma cena: o saxofone em mãos, o olhar concentrado e a promessa da carreira musical em ascensão. Mas na tarde de sexta-feira (5/12), essa trajetória foi interrompida nas dependências do 1° Regimento de Cavalaria de Guardas (1° RGC), no DF. Maria foi assassinada e teve o corpo carbonizado. O suspeito, Kelvin Barros, soldado, 21, foi preso e confessou o feminicídio.
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Há pouco mais de cinco meses, a jovem deu um passo tão sonhado e desejado por meninas da mesma idade: entrou para o Exército. Era cabo e musicista da Fanfarra do regimento. “Cada vez mais tenho a certeza que é a música que eu quero fazer. A música oferece vários benefícios, dentre eles, a busca incansável de ser melhor. E para isso é preciso estudar, estudar e estudar”, publicou Maria em uma foto postada em março. No registro, aparece ao lado de um professor de música.
A própria foto do perfil de Maria, ou Malu, como se autodescrevia, era com um saxofone. Uma amiga da jovem relembrou ao Correio dos tempos em que as duas estudaram juntas no ensino fundamental e médio. “Ela era muito dedicada e estudiosa. Fazia tudo bem feito”.
O crime
Como mais um dia no quartel, Maria estava na Fanfarra, onde também são guardados os instrumentos musicais do Exército. Por volta das 16h, os bombeiros receberam um chamado para uma ocorrência de incêndio no quartel.
Após a contenção das chamas, o corpo de Maria foi encontrado já carbonizado. A Polícia Civil logo levantou as suspeitas de um possível assassinato.
As investigações da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), constataram que Maria havia sido morta por Kelvin Barros, 21, também membro da Fanfarra. O soldado foi preso em fuga para o Paranoá e, na delegacia, confessou. Disse que, na tarde do crime, ele e a vítima discutiram acerca de um suposto relacionamento extraconjugal que mantinham.
Ao Correio, um primo de Maria negou que ela tenha tido qualquer relacionamento com Kelvin e supôs uma possível perseguição do autor contra a militar.
Ainda de acordo com a versão do suspeito, a discussão começou quando a militar teria exigido que ele encerrasse o relacionamento com a namorada e assumisse publicamente a suposta relação entre os dois.
Dinâmica
O suspeito afirmou que, durante o desentendimento, a mulher teria sacado uma arma de fogo e tentado alimentá-la com munição. Na versão, disse ter segurado a pistola com uma das mãos, enquanto, com a outra, alcançou uma faca militar presa à própria cintura.
Nesse momento, segundo o depoimento, ele desferiu um golpe no pescoço da vítima, que caiu no chão. “Em seguida, afirmou ter utilizado álcool e um isqueiro para provocar o incêndio no local antes de fugir, levando consigo a arma da mulher”, detalhou o delegado-chefe da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), Paulo Noritika.
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