A pesquisadora Iêda de Carvalho Mendes, que atua na Embrapa Cerrados desde 1989, foi agraciada com o Prêmio JK, evento organizado pelo Correio Braziliense, na categoria Agro, nesta terça-feira (9/12). O reconhecimento destaca a longa trajetória de dedicação à pesquisa de solos e ao desenvolvimento de práticas sustentáveis no bioma Cerrado.
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“Estou muito feliz com essa homenagem da primeira edição do Prêmio JK, de ser escolhida para representar o setor do Agro. Muito feliz que eu estou representando a Embrapa, que é uma empresa que dá orgulho para todos os brasileiros e o nosso trabalho com saúde do solo, que foi desenvolvido aqui no nosso quadradinho, no nosso DF, e hoje está sendo reconhecido não só no Brasil, mas em nível internacional”, disse.
Ela ressaltou a importância especial da premiação. “A Embrapa Cerrados está fazendo 50 anos, comemorando as bodas de ouro. Então, para a gente, isso é muito significativo, porque foi a unidade da Embrapa que permitiu a incorporação do cerrado, a nossa agricultura que transformou aquela região que era reconhecida por ter solos pobres, inutrientes, e revolucionou a região do cerrado”, disse.
Lançado pelo Correio Braziliense, o Prêmio JK reconhece e homenageia personalidades que fizeram parte da história de Brasília. A seleção dos homenageados deste ano foi feita pela redação do jornal e contempla 16 categorias, são elas: esporte, cultura, sustentabilidade, agro, empreendedorismo, educação, direito e justiça, indústria e tecnologia, inclusão e voluntariado, saúde, gestão pública, turismo e eventos, comércio e serviços, entidade de classe, inovação e economia criativa. Além disso, há a categoria das homenagens especiais: quatro personalidades que se destacaram em várias áreas foram selecionadas para figurarem na história dessa premiação. O prêmio leva o nome da maior referência para a cidade, o ex-presidente Juscelino Kubitschek.
Carreira dedicada a ciência
Engenheira agrônoma formada pela Universidade de Brasília (UnB), Iêda Carvalho Mendes aprendeu que o solo não é apenas um recurso produtivo, mas sim um organismo vivo, complexo e cheio de respostas. Em 1987, consolidou sua carreira como uma das principais referências do país no estudo dos microrganismos que sustentam a fertilidade da terra.
Em 1997, concluiu doutorado em Soil Science pela Oregon State University, nos Estados Unidos, com uma pesquisa voltada à microbiologia de agregados de solo sob diferentes sistemas de manejo.
Desde 1989, atua como pesquisadora da Embrapa Cerrados. Durante esse período, integrou projetos para a agricultura nacional, especialmente na seleção de estirpes de rizóbios — bactérias do solo que vivem em interação com leguminosas — usadas na fixação biológica do nitrogênio. Ela participou ainda dos trabalhos que resultaram no lançamento das estirpes SEMIA 5080 e SEMIA 5079 EM 1993, hoje amplamente utilizadas como inoculantes comerciais de soja.
Também colaborou com pesquisas que levaram à recomendação da estirpe CPAC-H12 para o feijoeiro e de rizóbios para leguminosas forrageiras — plantas cultivadas para alimentar animais —, contribuindo para reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados.
O passo mais importante da sua carreira veio com o desenvolvimento da BioAS, a tecnologia de bioanálise do solo que ampliou o conceito de fertilidade. O método, criado por seu grupo na Embrapa, reúne dois indicadores biológicos, as enzimas arilsulfatase e beta-glicosidase, associadas aos ciclos do enxofre e do carbono. A proposta é oferecer ao agricultor uma visão integrada da saúde do solo. Iêda costuma descrever o processo como um “exame de sangue” capaz de revelar o vigor biológico da terra, sua capacidade de ciclar nutrientes e responder ao manejo.
A tecnologia, adotada em diferentes regiões produtoras, motivou a criação de uma rede nacional. Desde 2019, a engenheira coordena a capacitação de 80 laboratórios comerciais de análise de solos para a realização das determinações enzimáticas. Trinta e um já foram habilitados pela Embrapa, compondo a Rede Embrapa de Bioanálise de Solos (Rede Embrapa BioAS).
Durante a 30º Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que ocorreu em Belém neste ano, seu trabalho ganhou dimensão internacional. Foi ali que a equipe liderada por ela apresentou a Plataforma Saúde do Solo BR, considerada o maior banco de dados público de saúde do solo do mundo.
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