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Ativistas falam sobre o acolhimento necessário das pessoas LGBTQIA

Pedro Matias e Lorraine Macedo contam, no Podcast do Correio, sobre o apoio às mulheres transexuais em vulnerabilidade

Pedro Matias (E) e Lorraine Macedo conversam com os jornalitas Luiz Felipe e Bianca Lucca -  (crédito: CB/D.A Press )
Pedro Matias (E) e Lorraine Macedo conversam com os jornalitas Luiz Felipe e Bianca Lucca - (crédito: CB/D.A Press )

Em apoio ao 29 de janeiro, Dia Nacional da Visibilidade Trans, os ativistas convidados do Podcast do Correio Pedro Matias, coordenador do centro de atendimento à população LGBTQIA Casa Rosa, e Lorraine Macedo, coordenadora do coletivo Força Trans, defenderam a importância de colocar a população transexual em pauta. "Infelizmente, é a população que está em maior vulnerabilidade. E não são essas histórias de dificuldade que a gente quer contar, queremos superar isso", disse Pedro aos jornalistas Luiz Felipe e Bianca Lucca.

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O coordenador da Casa Rosa explica que a instituição é voltada para o atendimento e acolhimento de pessoas LGBTQIA que se encontram em situação de vulnerabilidade após perderem vínculos familiares. Ressalta que a casa foi essencial na época da pandemia, quando 18 pessoas estavam abrigadas. "É um espaço feito de pessoas LGBTQIA para outras. E existe um senso grande de segurança, valorização e pertencimento", afirma Pedro.

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A organização, em Sobradinho, foi criada pelo ativista Marcos Tavares que, ao observar o sofrimento de amigos LGBTQIA durante as décadas de 70 a 90, decidiu criar um espaço de atendimento nos fundos da própria casa. Desde então, a Casa Rosa acolheu e acompanhou a trajetória de mais de 70 pessoas, que mesmo após saírem do local, continuam contando com o apoio do voluntariado. De acordo com Pedro, o público majoritário é adulto, com risco de ficar em situação de rua e com o histórico de evasão escolar. 

Lorraine, líder da Força Trans, defende a Casa Rosa como um centro de apoio essencial para a população, e diz que, sempre que encontra outra mulher trans em vulnerabilidade, pode contar com a casa para o fornecimento de itens como cestas básicas. A ativista conheceu a iniciativa por meio de outro projeto que, à época, era apoiado pelo centro de acolhimento, chamado Trans Histórias, que possui a missão de mostrar a cidade de Brasília por meio da vivência transexual.

Direito à memória

O Trans Histórias é uma ação de turismo, que atua por meio de visitas guiadas à locais emblemáticos de Brasília, contando histórias da perspectiva das transexuais. O projeto tem o objetivo de empregar jovens LGBTQIA , que possuem dificuldades de ingressar no mercado de trabalho tradicional. "Brasília tem vários espaços onde nós, transexuais, passamos. E nesse projeto a gente reconta essa história invisibilizada, e mostramos como são hoje os lugares que frequentamos no passado", explica Lorraine, que nos anos 80 foi a primeira trans hostess (recepcionista) de uma boate na capital.

Lorraine conta que, quando chegou a Brasília, a população transexual vivia "à margem da sociedade", sofrendo frequentes agressões e assassinatos, que não eram repercutidos. Ela afirma que o trabalho de coletivos, como a própria Força Trans, cria uma alternativa à marginalização de meninas trans, possibilitando o ingresso delas em universidades e conclusão do ensino básico, mas destaca que, ainda hoje, a realidade das transexuais e travestis do Brasil ainda é invisibilizada.

"O Trans Histórias permite que mulheres sejam suas próprias líderes e chefes. Isso não é à toa, é para evitar constrangimentos ligados ao trabalho", diz Pedro Matias. O coordenador aponta que, muitas vezes, a solução para garantir o acesso da população transexual ao trabalho é criando novas vagas e alternativas de carreira, como no projeto de turismo. "Algumas empresas nos pedem indicação de currículos, mas a gente percebia que a pessoa entrava em uma situação de sofrimento muito grande, e aqui era, de certa forma, nossa responsabilidade", adiciona.

Segundo a coordenadora da Força Trans, os principais desafios no ambiente de trabalho são os constrangimentos, que vêm por meio de piadinhas sem graça. "Elas vão ficando constrangidas, mas não querem dar um escândalo e demonstrar seu lado agressivo. Então elas acabam pedindo demissão, ou se exaltam em uma discussão e são demitidas", conta Lorraine, que ressalta a necessidade de terem pessoas preparadas para trabalhar com uma equipe com mulheres trans.

"Quando se deparar com uma mulher trans, nunca se esqueça de tratar ela por ela. A cada dia, abrimos um pouco mais o olho com respeito próprio ao ser humano. Porque por trás do corpo, existem pessoas, conteúdos, pensamentos, caráteres e grandes personalidades", disse a ativista.

*Estagiário sob supervisão de Márcia Machado

 


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postado em 31/01/2026 07:17
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