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Assassinato de Thalita Berquó completa um ano com julgamento previsto para março

O assassinato brutal de Thalita Berquó completa um ano hoje. Para manter a memória viva, familiares e amigos farão uma homenagem no Parque de Águas Claras

O calendário da família Berquó parou em 13 de janeiro de 2025. Não porque os dias tenham deixado de passar, mas porque o tempo ali parece não ter retomado o movimento. Naquela data, a rotina da família foi interrompida pela notícia do assassinato de Thalita Marques Berquó Ramos, 36 anos. Um ano depois, o caso caminha para o julgamento do réu. João Paulo, 36 anos, apontado como autor do crime, deve se sentar no banco dos réus em março. Para homenagear a vítima e manter a memória viva, os parentes farão uma homenagem, nesta terça-feira (13/1), no Bosque da Memória, no Parque de Águas Claras. 

Thalita entrou para as manchetes de forma trágica. O assassinato comoveu Brasília e expôs de forma brutal a face mais cruel da violência contra mulheres. Thalita foi assassinada e esquartejada em 13 de janeiro de 2025. A cabeça e as pernas dela foram localizadas na Estação de Tratamento de Esgoto da Asa Sul, em 14 e 15 de janeiro. 

João Paulo e dois adolescentes foram capturados pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) e, agora, enfrentarão a Justiça. Está previsto para março o julgamento de João Paulo, no Tribunal do Júri. Um dos menores está detido em uma Unidade de Internação; o outro, foi posto em regime de semiliberdade em outubro do ano passado. O Ministério Público vai recorrer da decisão

A família vive luto eterno. Do armário de Thalita, a mãe atendeu o desejo da filha de doar as roupas. Ato, segundo a família, que fazia parte da personalidade caridosa dela. 

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Manifesto 

Nesta terça, às 9h30, familiares e amigos se reunirão no Parque de Águas Claras para homenagear Thalita. O ato faz parte do projeto  'Relembre Nossos Nomes — Bosque da Vida' e convida o público para um momento de memória, justiça e esperança no Bosque onde plantaram uma árvore. A cerimônia começará às 10h. 

Relembrar a vida de Thalita é, também, um grito de alerta, falou, ao Correio, a governadora em exercício, Celina Leão (Progressistas). Segundo ela, é um crime que não pode ser tratado como mais um caso policial, porque revela o desprezo absoluto pela vida e pela dignidade humana.

A vice-governadora destaca a importância de projetos como esse, capazes de romper o silêncio que, muitas vezes, tenta encobrir esses crimes e afirma que nenhuma mulher pode ser esquecida, relativizada ou silenciada pela violência.

Celina Leão também descreveu a importância da denúncia e o acionamento do Estado como forma de proteção. "A partir da denúncia, o poder público pode agir, interromper ciclos de violência e evitar novas mortes. O silêncio protege o agressor. Denunciar salva vidas. O enfrentamento à violência contra mulheres é uma prioridade permanente do Governo do Distrito Federal. As ações envolvem prevenção, proteção, acolhimento às vítimas e responsabilização rigorosa dos agressores. Nenhuma forma de violência será tolerada. Toda mulher tem o direito de viver com segurança, respeito e dignidade, e o Estado tem o dever de agir de forma firme, contínua e responsável para garantir esse direito."

Relembre

A polícia concluiu que Thalita foi morta em 13 de janeiro de 2025, uma segunda-feira. Segundo a família, ela passou o fim de semana na casa de um amigo e de familiares dele, mantendo contato constante com a mãe, por meio de mensagens. Em 11 de janeiro, fez uma ligação de cerca de 40 minutos para tranquilizá-la, afirmando que estava bem, na companhia desse amigo. Durante a chamada, inclusive, Thalita perguntou se a mãe gostaria de falar com ele, o que de fato ocorreu.

Na manhã do dia 12, mãe e filha voltaram a se falar, já que tinham combinado de ir ao cabeleireiro, acompanhadas da tia. No dia seguinte, a mãe novamente conversou com Thalita, ocasião em que ela disse que iria para casa. A partir desse momento, o contato foi perdido. Estranhando o silêncio da filha, a mãe iniciou buscas por informações junto ao mesmo amigo, que afirmou não saber do paradeiro dela.

Segundo a investigação, na data do crime Thalita embarcou em um carro de transporte por aplicativo, com destino à QE 46 do Guará 2, próximo ao Edifício Valentina, distante poucos metros do Parque Ezequias, onde se encontraria com um colega. Essa foi a última informação do paradeiro dela.

O delegado-chefe da 1ª DP, Antônio Dimitrov, explicou à época que a polícia usou técnicas avançadas para traçar a rota feita pela vítima. De acordo com o investigador, da QE 46 Thalita se dirigiu a um local próximo de invasão para comprar entorpecentes. "Ela foi atraída até o parque e, lá, pagou a droga, dando o celular em troca. Logo em seguida, a vítima pediu o aparelho de volta, e isso gerou um desentendimento entre ela e os autores", esclareceu.

O homem e os dois adolescentes teriam dado várias facadas em Thalita e batido no rosto dela com uma pedra. Depois, a esquartejaram. A polícia chegou à localização do tronco após o adolescente levar as equipes à cova, em 17 de março. O corpo estava envolto por um cobertor. Equipes do Corpo de Bombeiros trabalharam mais de seis horas na escavação. Os braços da vítima não foram encontrados, e os suspeitos não souberam responder sobre a localização dos membros.

Material Cedido ao Correio - João Paulo, apontado como autor do crime, está preso

 

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