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Violência contra a mulher exige compromisso coletivo, diz pesquisador da UnB

Feminicídio só pode ser enfrentado com a atuação conjunta do Estado, da sociedade e dos homens, afirma Victor Valadares, da Universidade de Brasília

O CB Debate traz, nesta terça-feira (27/1), uma discussão sobre a violência contra a mulher, tema que demanda atenção contínua e posicionamento efetivo. No auditório do Correio Braziliense, o pesquisador Victor Valadares, integrante do Grupo Saúde Mental e Gênero da Universidade de Brasília (UnB), destacou que a violência doméstica deve ser entendida como um fenômeno complexo e profundamente enraizado na sociedade.

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Segundo Valadares, o enfrentamento depende da mobilização de diferentes esferas sociais. “A violência doméstica tem muitas causalidades e exige movimentação da sociedade civil, do poder público e dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo”, afirmou. Para Valadares, o debate se torna ainda mais urgente diante da escalada dos casos de feminicídio e de outras violências contra a mulher.

O pesquisador também ressaltou a necessidade de incluir os homens nesse processo. “É preciso pensar no compromisso de cada um, principalmente dos homens, e em como podemos incluí-los nesse debate para a construção de uma sociedade igualitária, democrática e livre para as mulheres”, disse.

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Na análise psicológica, Valadares apontou falhas no acolhimento das vítimas e defendeu que a atuação profissional seja baseada em uma leitura de gênero. De acordo com ele, a violência psicológica tem crescido e, muitas vezes, não é reconhecida como violência. “Xingamentos são naturalizados culturalmente, sobretudo contra mulheres, mas têm impactos diretos na saúde mental”, explicou.

Ele chamou atenção ainda para o fato de que essas agressões são atravessadas por marcadores raciais. “As mulheres negras sofrem mais violência, e os xingamentos são, muitas vezes, racializados e generificados, o que aprofunda as opressões”, pontuou. Para o pesquisador, só é possível enfrentar a realidade quando se reconhece que gênero e raça estão articulados e exigem respostas integradas.

Pela proteção das mulheres: um compromisso de todos

O cenário da violência de gênero no Distrito Federal exige atenção urgente: em 2025, a capital registrou 11,3 mil casos de violência doméstica, uma média alarmante de 30 ocorrências por dia. O aumento de 9,4% em relação ao ano anterior, somado aos recentes casos que vitimaram uma adolescente e uma mulher idosa, reforça a necessidade de políticas públicas mais robustas e de uma rede de apoio que funcione preventivamente.

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Para enfrentar essa realidade, o evento organizado pelo Correio Braziliense reúne grandes nomes como as ministras Marina Silva e Luciana Santos, além de magistradas e especialistas. O primeiro painel focará na responsabilidade institucional do Estado, enquanto o segundo debaterá a mobilização social e a mudança cultural necessárias para erradicar a violência contra a mulher.

Onde pedir ajuda:

» Ligue 190: Polícia Militar (PMDF)

» Ligue 197: Polícia Civil (PCDF)

» Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres). Por esse canal, também podem ser feitas denúncias de forma anônima, 24 horas por dia, todos os dias.

Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam):

» Deam 1: EQS 204/205, Asa Sul (atende todo o DF, exceto Ceilândia)

» Deam 2: St. M QNM 2, Ceilândia (atende Ceilândia)

» Ouvidoria das Mulheres (Conselho Nacional do Ministério Público): para encaminhamento de denúncias diretamente ao Ministério Público.

WhatsApp: (61) 9366-9229

Telefones: (61) 3315-9467 / 3315-9468

» Ouvidoria Nacional da Mulher (Conselho Nacional de Justiça): para questões e denúncias sobre o andamento de processos judiciais.

Telefone: (61) 2326-4615

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