Entrevista | Ana Paula Marra | Secretária de Desenvolvimento Social

Acolhimento no DF será ampliado, diz secretária

Ao CB.Poder, gestora destacou a criação de mais um hotel para atender às pessoas em situação de rua em Taguatinga e em Ceilândia, além da possibilidade de uma candidatura a deputada distrital nas próximas eleições

A criação do Hotel Social de Taguatinga foi um dos temas discutidos ontem, no programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Às jornalistas Adriana Bernardes e Samanta Sallum, a secretária de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes), Ana Paula Marra, também falou sobre atendimento à população, concurso público e uma possível candidatura a deputada distrital. Confira, a seguir, os principais pontos da entrevista.

O Distrito Federal vai ganhar um hotel social em Taguatinga. Como é esse projeto?

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Temos o primeiro Hotel Social do Distrito Federal, localizado no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN), que, em menos de dois meses, atingiu a capacidade máxima de 200 pessoas por noite. É uma política pública que deu certo. Agora, vamos abrir um novo hotel social em Taguatinga para acolher as pessoas que estão não só nessa região administrativa, mas em Ceilândia também.

Como vai ser a infraestrutura? Qual vai ser a capacidade para acolhimento?

É muito similar à do hotel do SAAN. Em Taguatinga, teremos capacidade para 200 pessoas por noite. Lembrando que não recebemos só homens. Colocamos espaço individualizado para mulheres, para crianças, para idosos e para pessoas LGBTQIAP . Tivemos todo o cuidado para ser, de fato, um acolhimento para todos que hoje estão nas ruas do DF.

Onde entra o Conselho Tutelar para crianças em situação de vulnerabilidade?

É necessária uma ação integrada de todo o governo. A assistência social não resolve tudo. É difícil explicar esse serviço para aqueles que não precisam. O que fazemos é garantir o mínimo de dignidade para quem necessita. Tivemos uma elevação no número de pessoas em situação de rua na capital, mas também tivemos uma redução pela metade do número de crianças na mesma situação. Não tínhamos creches para todas quando assumimos e, hoje, estamos praticamente zerando a fila para esses espaços. Então, em uma ação conjunta da Sedes com a Secretaria de Educação, conseguimos priorizar essas crianças que estavam nas ruas.

O GDF tem programas sociais para capacitar quem quer uma vaga de emprego. Por meio desses programas e dessas ações, existe um balanço de quantas pessoas o governo conseguiu tirar das ruas e dar autonomia para ter uma vida mais digna?

A assistência social tenta fazer a base para que essa pessoa tenha condição de se capacitar. No RenovaDF, foram mais de mil pessoas atendidas em 2025. No Serviço de Limpeza Urbana (SLU), contratamos mais de 100 pessoas ano passado. O próprio GDF deu exemplo ao contratar 15 cargos comissionados de pessoas que estão em processo de saída da rua.

Os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) passaram a ter atendimento on-line, mas as pessoas ainda reclamam da fila. Qual é o tamanho desse gargalo e quais são os projetos para que as pessoas tenham, de fato, acesso a essa porta de entrada?

Quando falamos em fila presencial e on-line, gostaria de dizer que o problema não está na forma do agendamento, está na capacidade de atendimento da secretaria. Por isso, a melhor medida para resolver essa questão é a contratação de novos profissionais. Minha luta incessante é por um novo concurso para que tenhamos mais servidores e possamos abrir mais CRAs, de modo a alcançar mais a população. Durante nossa gestão, passamos de 25 para 32 CRAs e nomeamos mais de mil servidores. No entanto, há uma evasão na carreira e a demanda é crescente.

Qual é o deficit de servidores para atendimento nos CRAs?

Na lei, temos em torno de 5 mil servidores para a carreira. Mas esse número atende a três secretarias: da Mulher, de Justiça e de Desenvolvimento Social. A gente pretende abrir um novo concurso, com 1.197 vagas. Vou fazer de tudo para que seja ainda este ano, porque acho que isso não é só para assistência social, também é para cada pessoa que está estudando para um concurso e apostando a vida nos estudos.

Há perspectiva de uma candidatura sua?

Sou a secretária que ficou mais tempo na Sedes. Juntando o tempo que fui secretária adjunta da primeira-dama Mayara Rocha, estou na secretaria há quase seis anos. Se eu pudesse, escolheria continuar no meu cargo para sempre, porque me sinto muito realizada. Mas penso também que, ocupando uma cadeira no legislativo, talvez eu tenha mais autonomia para falar sobre orçamento. Conseguimos triplicar de R$ 500 milhões para R$ 1 bilhão, quase R$ 1,5 bilhão, a execução na assistência social do DF. Mas a gente precisa de mais. Meu nome está sendo cogitado para deputada distrital, mas há muito o que alinhar. A candidatura não está descartada, porém, também ficaria muito feliz em terminar a gestão do governador Ibaneis Rocha, agora com a governadora Celina Leão. Vários partidos me sondaram, mas os que estão mais alinhados são o Podemos e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Assista à íntegra da entrevista:

*Estagiária sob supervisão de Eduardo Pinho

 


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