CB. DEBATE

Saúde mental precisa ser tema de políticas públicas, diz pesquisadora

Durante o CB.Debate Janeiro Branco, professora e pesquisadroa da Fiocruz destacou a responsabilidade do Estado na oferta de cuidado em saúde mental

Na visão da professora e pesquisadora do Núcleo de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas da Fiocruz, Mariana Nogueira, a construção de espaços de debate sobre saúde mental é essencial para ampliar a compreensão de que o cuidado psicológico é uma questão social e política. A especialista participa CB.Debate Janeiro Branco: Diálogos sobre a saúde mental no Brasil.

Segundo ela, discussões como a promovida no evento ajudam a reforçar que a saúde mental está diretamente ligada às condições de vida e de trabalho da população.

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“Esse tipo de debate ajuda a publicizar e ampliar a discussão de que saúde mental não é uma responsabilização individual. Ela é garantida, fundamentalmente, a partir de boas condições de vida, condições dignas de trabalho e, portanto, da implementação de políticas públicas que atendam às necessidades da classe trabalhadora”, afirma.

Mariana destaca que, além da troca de ideias, é fundamental que as propostas construídas por instituições sejam levadas adiante pelo poder público.

“As propostas produzidas aqui precisam ser acolhidas e discutidas pelos diferentes entes governamentais e que se traduzam em fortalecimento do SUS e em políticas públicas concretas”, defende.

A pesquisadora também chamou atenção para a relação entre sofrimento mental e o aumento do consumo de álcool e outras drogas, tema que será aprofundado por ela durante o debate. No Núcleo de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas da Fiocruz, onde atua, a abordagem vai além da visão restrita aos transtornos mentais individuais.

“Trabalhamos com a compreensão de que há um aumento do sofrimento psíquico relacionado à piora das condições de trabalho, ao crescimento da informalidade e também ao aumento da violência de gênero contra as mulheres. Essas são questões fundamentais para entender o cenário atual”, explica.

Para Mariana, o uso de substâncias — sejam lícitas ou ilícitas — não pode ser analisado de forma isolada, sem considerar o contexto social. “A relação entre adoecimento psíquico e uso de drogas está diretamente ligada à piora das condições de vida. Por isso, precisamos discutir o quanto o Estado tem responsabilidade em acolher essas formas de sofrimento, que são coletivas”, afirma.

Ela reforça que enfrentar esse cenário exige investimento e fortalecimento das políticas públicas de saúde mental. “Para isso, é necessário fortalecer o Sistema Único de Saúde e a Rede de Atenção Psicossocial, garantindo cuidado integral às pessoas em sofrimento”, conclui.

CB.Debate

Em alusão ao mês dedicado à conscientização sobre a importância da saúde mental, o Correio promove, nesta quinta-feira (29/1), o CB.Debate Janeiro Branco: diálogos sobre a saúde mental no Brasil. O evento está sendo transmitido ao vivo pelo canal do Youtube e, ao final de cada painel, o público on-line e presencial poderá fazer perguntas aos painelistas.

Além dos fatores de adoecimento mental e desafios na assistência, será discutida ainda a construção de espaços de escuta e cuidado. Entre os painelistas, autoridades, médicos e especialistas compõem o debate.
No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre 2024 e 2025, houve um aumento de 143% na quantidade de pessoas afastadas do trabalho por transtornos mentais, um cenário que pede atenção e responsabilidade por parte do governo e sociedade.

Assista o debate ao vivo:

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