LUTO

40km e 8 dias de distância: o luto de mães que perderam filhos para violência

Mães de Leonardo da Silva, 19 anos, e de Rodrigo Castanheira, 16, mortos durante brigas, vivem o luto provocado pela barbárie

Rodrigo Castanheiras e Leonardo da Silva: vítimas da brutal da violência que ceifa a vida de jovens no DF -  (crédito: Reprodução/redes sociais - material cedido ao Correio)
Rodrigo Castanheiras e Leonardo da Silva: vítimas da brutal da violência que ceifa a vida de jovens no DF - (crédito: Reprodução/redes sociais - material cedido ao Correio)

"Não sei como vou seguir daqui pra frente”. O desabafo é de uma mãe que acaba de enterrar o filho brutalmente espancado em uma briga de rua, em Sobradinho II. Atrás das grades do portão de uma residência modesta, o olhar de Francisca se fixa num ponto perdido no espaço. Vestida com um camisão branco, cabelos muito pretos amarrados num coque que se desfazia sobre os ombros, ela murmurou: “Ele era uma criança com corpo de homem, muito amoroso”, descreveu o filho, Francisca Mônica Ferreira Soares.

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As razões da briga que tirou a vida do estudante Leonardo Ferreira da Silva, 19 anos, na madrugada do último domingo, ainda são um mistério. Leonardo não teve tempo de contar. Morreu logo após dar entrada no hospital. O agressor, Jardel de Nóbrega Martins, 27 anos, filmando participando diretamente das agressões, e Wanderson da Fonseca, 29, que fez as imagens enquanto incitava a violência, segundo a Polícia Civil, usaram o direito constitucional e ficaram em silêncio, ao serem presos. Ambos passaram por audiência de custódia na segunda, e a prisão em flagrante foi convertida em preventiva pela Justiça. 

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Procurado pela reportagem na tarde desta segunda-feira (16/2), o delegado-chefe da 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho), Hugo Maldonado, disse não ter avançado nas investigações. O que se sabe até agora é que Jardel e Wanderson têm antecedentes por tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e infrações relacionadas à Lei Maria da Penha (violência contra a mulher). 

Agressor e vítima: conhecidos de vizinhança

Devastada e sob efeito de medicação para tentar lidar com a dor, Francisca comentou que o filho e os agressores eram vizinhos. "Eles moravam na mesma rua, conheciam-se. Eram amigos ou pelo menos se falavam. Eu não consigo entender como algo assim aconteceu". Lutando contra um quadro depressivo, a mãe de Leonardo alternou momentos de choro e silêncio. “Ele era um menino lindo, que gostava de ajudar todo mundo, era muito querido”, disse. “É muita dor.”

A selvageria que tirou a vida de Leonardo ocorreu na entre 4h e 4h30, na região de Nova Colina. O jovem chegou em casa num carro, reclamando de muita dor e foi levado às presas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região. As causas da morte serão reveladas após o resultado do laudo cadavérico emitido pelos peritos do Instituto de Medicina Legal (IML). Até o momento, os suspeitos estão indiciados pela polícia por homicídio, tipificação que pode mudar com o avanço das investigações. 

Ao Correio, Maldonado afirma que Leonardo foi vítima da covardia. E destaca as semelhanças entre a morte dele e de Rodrigo Castenheiras, agredido Por Pedro Turra, na saída de uma festa em Vicente Pires. "Nos dois casos, ninguém separa a briga, que é filmada. No caso do Pedro, me parece, houve mais uma pessoa fazendo vídeo. E se a gente for olhar pra trás, tem outros casos de jovens espancado até a morte. O Marco Velasco, o João Cláudio Leal", cita.   

Rodrigo Castanheira: morte violenta soma ciclo de barbárie

Enquanto aguarda respostas das autoridades, Francisca Mônica clama por justiça. “Eu quero justiça. Quero que paguem pelo que fizeram. O meu filho era tudo pra mim, e essa dor não vai passar tão cedo.” 

A 40km da casa de Francisca, em Vicente Pires, e com um intervalo de apenas oito dias, outra mãe compartilha da mesma dor. Rejane Fleury enterrou o filho Rodrigo Castanheira, 16 anos, no sábado (7/2). O estudante foi brutalmente espancado pelo ex-piloto Pedro Turra, 19, e ficou em coma por 16 dias. 

Turra está preso desde 30 de janeiro e a Justiça o tornou réu ao aceitar a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) por homicídio doloso, quando há intenção de matar. 

Na quinta, o ex-piloto foi transferido para uma ala de segurança máxima dentro do Complexo Penitenciário da Papuda. O procedimento é adotado quando a administração penitenciária entende que há risco à integridade física do detento. 

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postado em 17/02/2026 20:34
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