CB. DEBATE

Secretária afirma que violência contra mulheres é fenômeno global

Secretária-executiva do Ministério das Mulheres defende enfrentamento ao machismo como sistema que organiza desigualdades e impacta infância e adolescência

No CB. Debate, Eutália comenta que não deve haver relativização da legislação e destaca atuação conjunta com AGU e CNJ -  (crédito: Ed Alves)
No CB. Debate, Eutália comenta que não deve haver relativização da legislação e destaca atuação conjunta com AGU e CNJ - (crédito: Ed Alves)

A secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa, durante o CB Debate — O Brasil pelas mulheres: proteção a todo tempo, evento promovido pelo Correio, afirmou que a violência contra mulheres e meninas segue padrões semelhantes em diferentes países e deve ser enfrentada como fenômeno estrutural.

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“Primeiro, é importante dizer que este é um fenômeno mundial, transnacional e que se comporta com padrões muito semelhantes”, declarou.

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Segundo Eutália, o enfrentamento exige compreensão basilar. “É um sistema que organiza a sociedade e o mundo, reproduzindo práticas de violação dos direitos humanos das mulheres. Qualquer debate ou reflexão precisa ganhar profundidade, no sentido de que são necessárias ações estruturantes que ataquem o tamanho e a profundidade desse fenômeno”, afirmou.

“São múltiplas responsabilidades no âmbito de todos os poderes da República, mas também no conjunto da sociedade”, completou.

Ao relacionar o tema à infância e à adolescência, Eutália afirmou que o debate envolve educação de gênero e impactos da violência nas fases iniciais da vida. “Estamos falando dos impactos da violência e dos desafios da educação de gênero”, declarou.

Durante a fala, a secretária abordou o que classificou como raiz do problema. “Vivemos numa sociedade que criminaliza a luta por igualdade de gênero e ‘passa pano’ para o machismo. O machismo é um crime. Ele organiza um sistema que viola, mata corpos femininos e ceifa a vida de mulheres”, disse.

Eutália afirmou que a violência não é característica inata. “Não podemos acreditar que os homens nascem predestinados a matar as mulheres; isso é uma construção social”, declarou.

Ao tratar dos efeitos sobre meninas, citou pressões sociais. “As meninas não conseguem mais sonhar; elas precisam imediatamente ganhar o corpo perfeito para fazer a melhor dança, vestir a melhor roupa e ter o melhor telefone”, afirmou.

Segundo a secretária, essas exigências estão inseridas em um modelo desigual. “Esse sistema estabelece uma forma onde homens e mulheres têm espaços diferenciados na sociedade, e onde um está em vantagem sobre o outro”, disse.

CB. Debate

Próximo do Dia Internacional das Mulheres, comemorado em 8 de março, o Correio promove, nesta quinta-feira (26/2), o CB.Debate "O Brasil pelas mulheres: proteção a todo tempo”. O evento está sendo transmitido ao vivo pelo canal do YouTube e, ao final de cada painel, o público on-line e presencial poderá fazer perguntas aos painelistas.

A iniciativa ganha relevância diante de um Brasil que, apenas no último ano, registrou 1.470 feminicídios. O encontro é aberto à participação do público, que poderá enviar perguntas presencialmente ou por meio do YouTube do Correio, contribuindo para a construção de caminhos efetivos de acolhimento e proteção às vítimas de violência no DF.

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postado em 26/02/2026 14:11
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