Uma das datas mais aguardadas do calendário, o carnaval atrai milhares de foliões em uma diversidade de culturas, ritmos e territórios. Tradicionais na capital federal, 183 bloquinhos foram cadastrados, distribuídos por todas as regiões administrativas. É nesses pontos que se concentram também os esforços dos agentes das forças de segurança, mobilizados para monitorar aqueles que, em vez de dançar, circulam atentos aos que relaxam a vigilância corporal.
Representantes das corporações reúnem-se, todos os anos, para alinhar estratégias para a operação. São mantidos os protocolos que funcionaram em edições anteriores, ajustadas as rotas de patrulhamento e incorporadas novas medidas conforme o diagnóstico criminal.
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Ontem, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) divulgou o plano de segurança, que prevê a atuação conjunta de policiais, além de estratégias especiais para o trânsito e o transporte público, visando garantir a mobilidade e a proteção dos foliões.
De acordo com a SSP-DF, eventos próximos a áreas residenciais não poderão ultrapassar as 23h. Em áreas não residenciais, os blocos de rua poderão funcionar até a 1h da manhã, sempre com encerramento rigorosamente acompanhado pelas equipes de segurança e fiscalização. Não há autorização para folia em áreas estritamente residenciais, conforme recomendação do Ministério Público (MPDFT), priorizando espaços amplos e previamente planejados.
O major Rapha Broocke, porta-voz da Polícia Militar, explicou que, desde 2023, a PM segue uma mesma linha de esforço, com adaptações e melhorias. O pontapé é a convocação de todos os militares ao serviço ostensivo. Isso alcança até aqueles lotados nos setores administrativos. "Fazemos uma distribuição do efetivo aos eventos oficiais registrados. Isso ocorre em todas as regiões, mas sabemos que o Plano Piloto concentra o maior número de festividades e de público. Esse reforço não impacta ou prejudica o policiamento diário", frisa.
Barreira
A chamada linha de revista e segurança é um dos mecanismos adotados pela PM em grandes eventos da capital — de manifestações a shows, passando pelas festas carnavalescas. Na prática, os militares se posicionam lado a lado para uma revista minuciosa em busca de objetos perfurocortantes (facas, tesouras, garrafas de vidro), entorpecentes e qualquer item capaz de comprometer a integridade física dos foliões.
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Neste ano, o protocolo permanece. Duas áreas de fluxo intenso foram escolhidas como primeiro "filtro": a Estação Central, na Rodoviária do Plano Piloto, e a estação de metrô Galeria. A estratégia é interceptar o público antes que ele se disperse pelos blocos. "É uma medida eficaz, que vai na raiz do problema", avalia o major Broocke. Ele orienta a população: "Deixamos avisados sobre os itens permitidos e proibidos. Desodorantes, por exemplo, podem parecer inofensivos, mas aliados ao isqueiro podem se transformar em artefato incendiário".
Furtos
Aproveitando-se do excesso de álcool dos foliões ou até mesmo do desleixo, criminosos não perdem tempo em cometer pequenos furtos. A fama de que o Carnaval é epicentro para as "mãos leves" não é à toa. Furto de celular está no topo das ocorrências registradas em blocos carnavalescos, afirma o major.
Ele elenca uma série de orientações. De preferência, segundo Broocke, guardar o celular em um local seguro e de difícil visualização, como a pochete interna. Ao retirar o aparelho para o manuseio, o ideal é que seja longe do fluxo intenso de pessoas. O cuidado também deve ser redobrado para os cartões de crédito ou débito. Com a função de aproximação, os criminosos ficam mais aguçados. "Há como estipular um limite de valor a ser na modalidade aproximação. É sempre o mais indicado."
A PM deu seguimento à tradicional campanha de identificação infantil da Polícia Militar. A ação visa a evitar desaparecimentos e garantir a segurança. A principal orientação da PMDF é que os responsáveis identifiquem as crianças de forma visível e segura, utilizando a Carteirinha de Identificação Infantil, que pode ser impressa no site da corporação e anexada à roupa da criança ou utilizada como crachá. O documento contém o nome da criança e o telefone de contato dos responsáveis.
Além das carteirinhas, a PMDF estará em pontos estratégicos de blocos voltados ao público infantil, realizando a identificação das crianças por meio de pulseiras.
Locais da folia
Com base no planejamento, os principais pontos de concentração de público serão as vias N1 e S1, na Esplanada dos Ministérios, especialmente nas proximidades do Teatro Nacional e do Museu da República; e o Setor Carnavalesco Sul, no Setor Comercial Sul e na Avenida S2, além de eventos programados no Parque da Cidade.
Durante todo o Carnaval, as vias N1 e S1, entre a Rodoviária do Plano Piloto e o Museu da República, na Esplanada dos Ministérios, permanecerão interditadas ao tráfego de veículos. A via S2 também terá trechos fechados, assim como o entorno da Galeria dos Estados, para eliminar a circulação de veículos em áreas de grande concentração de pessoas e reduzir o risco de acidentes.
Este ano, haverá o fechamento de uma via próxima ao Hotel Nacional, direcionando o fluxo para rotas alternativas. Eixão, Eixinhos e demais paralelas permanecerão liberadas, com exceção do Eixão no domingo, quando já ocorre o tradicional fechamento para lazer.
Monitoramento
Toda a operação será monitorada, 24 horas por dia, pelo Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob), composto por 31 órgãos e instituições do GDF voltados à segurança, mobilidade, saúde, fiscalização e prestação de serviços públicos.
O monitoramento contará com uso de câmeras de reconhecimento facial, drones e sistemas integrados de vigilância. "Esse reforço amplia nossa capacidade de acompanhamento em tempo real, permitindo respostas mais rápidas e assertivas a qualquer situação", ressalta Sandro Avelar, secretário da SSP-DF.
A orientação do órgão é que o público evite o uso de veículos particulares e dê preferência ao transporte público ou por aplicativos. O transporte coletivo contará com reforço de linhas e horários, e a fiscalização de trânsito será intensificada.
