Entrevista | Sandro Avelar | Secretário de Segurança Pública

Secretário de Segurança faz balanço do carnaval no DF: 'Dever cumprido'

Ao CB.Poder, chefe da pasta comenta a atitude da PM ao deter supeito com droga e a abordagem ao deputado distrital Fábio Félix (PSol)

As festas carnavalescas do Distrito Federal ocorreram em um clima de alegria e segurança dos foliões. Em entrevista aos jornalistas Carlos Alexandre e Ana Maria Campos, no CB. Poder — programa do Correio Braziliense em parceria com a TV Brasília —, de ontem, Sandro Avelar, secretário de Segurança Pública do DF, elogiou a atuação das forças de segurança e comentou sobre o episódio envolvendo o deputado Fábio Felix (PSol). Segundo Avelar, haverá investigação, mas, em análise preliminar, a PM fez o trabalho dela.

Qual o balanço o senhor faz dos quatro dias de folia no Distrito Federal?

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Nesse período nos dedicamos muito. Temos a preocupação de dar uma resposta efetiva, para que a comunidade possa realmente se sentir acolhida pelas forças de segurança. Temos, evidentemente, a preocupação com violência que usualmente acontecia nos antigos carnavais, mas hoje a gente pode se orgulhar de dizer que estamos fazendo, foram três carnavais seguidos, com números muito bons em termos de segurança pública. Acredito que todos aqueles que acompanharam os blocos em todos os dias do carnaval podem confirmar isso. Uma quantidade muito grande de policiais militares nas ruas, uma quantidade muito grande de componentes do Corpo de Bombeiros, do Detran e da Polícia Civil também fazendo um trabalho muito forte, dando dinâmica aos atendimentos que foram feitos na delegacia. Estive em vários desses blocos e pude acompanhar muito de perto as revistas feitas pela Polícia Militar nas estações do metrô, nos próprios locais dos eventos. Percebi que todos fizeram muito bem o seu papel, todos com muito comprometimento e, hoje, a gente tem realmente um sentimento de dever cumprido.

Secretário, um episódio que despertou muitos debates — até nas redes sociais — foi uma imagem de um policial militar que jogou spray de pimenta no deputado Fábio Félix (PSol). Como o senhor avalia esse episódio? 

Gosto muito do Fábio Félix e tenho o maior respeito por ele, mas pelas imagens, evidentemente isso tudo vai ser devidamente apurado. Temos as instâncias adequadas para verificar se houve qualquer tipo de excesso. Mas, no primeiro momento, por todas as imagens que a gente viu, de ângulos variados, a gente percebe o deputado numa postura ativa. Inclusive, os policiais estavam trabalhando em uma linha e não foi a linha de policiais que se deslocou até o deputado. O deputado é quem foi até a linha de policiais para poder fazer considerações a respeito de uma prisão que havia sido feita. Essa prisão é absolutamente legal, não existe nenhuma discussão com relação a isso. Um dos cachorros da PM farejou substância entorpecente, verificou-se realmente que aquelas pessoas estavam ali usando a substância e estavam portando. Quando essas pessoas estavam sendo conduzidas à delegacia, veio a coordenadora do bloco tentando, de alguma maneira, intervir naquele procedimento. Acabou que foi também detida por desobediência. As imagens mostram isso com toda clareza. [...] Você vê que não houve, por parte do policial, um empurrão que tenha sido dado ou alguma manifestação cuja energia pudesse ser maior. O gás de pimenta evita justamente uma aproximação maior. Ele é utilizado como o primeiro recurso para se evitar o contato físico.

Independentemente das versões e do que aconteceu efetivamente há um procedimento de investigação interno?

Sim. O parlamentar também foi à delegacia e registrou boletim. Isso tudo vai ser, obviamente, apurado por todas as instâncias. A PM também (vai investigar) na instância administrativa. Mas fica um apelo. É preciso que se respeite o policial. O policial fardado ali, está representando o Estado, está trabalhando. Não se pode acusar o policial que está parado, trabalhando em linha. Estão ali fazendo um trabalho de vigilância do local. 

Você entende que houve um exagero, um abuso de autoridade do parlamentar ao cobrar para que não houvesse a prisão?

Tem muita coisa para ser apurado, mas tudo indica que houve, por parte do parlamentar, esse movimento ativo de ir até os policiais para poder fazer considerações que, com certeza, aquele não era o local mais adequado. Se é para poder fazer algum tipo de consideração sobre a legalidade da prisão, era para ser discutido na delegacia, ou até em instâncias posteriores, não no local onde os fatos estão acontecendo.

Sobre a morte de dois jovens, em um curto período de tempo aqui no DF, eu queria que o senhor falasse como combater esses conflitos que acabam de maneira bárbara?

É algo que temos que trabalhar de maneira geral, evidentemente, não envolvendo só a visão de segurança pública especificamente, porque a segurança pública atua na prevenção, na repressão. Esses jovens, os que cometeram os atos, foram retirados de circulação. É uma situação que é uma tristeza para a família da vítima e não deixa de ser uma tragédia também para a família que convive tendo jovens presos e maculados com essa imagem de quem matou um outro jovem. Agora, é preciso que a gente faça um trabalho, eu sempre falo muito, no caso do feminicídio, por exemplo, que é um trabalho de mudança de cultura. Vamos levar tempo, isso depende muito da educação. Aliás, a segurança pública e a educação andam juntas. Então, é preciso que a gente trabalhe realmente uma mudança de cultura. 

 

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