A delação de um dos integrantes da quadrilha conhecida como “Piratas dos Shoppings” — especializada no furto de joias em estabelecimentos comerciais do país — abriu o leque de investigação para a ponta final do esquema: quem compra as joias furtadas. Durante cinco meses, Elisson Sousa Oliveira estudou a rotina da Vizzardi Joias, no shopping Passeio das Águas, em Goiânia (GO). No sábado (14/2), concretizou o plano. Levou R$ 1,2 milhão em relógios, correntes, colares, anéis e pulseiras. Foi preso dois dias depois pela PM de Goiás, em Santo Antônio do Descoberto (GO). E solto no mesmo dia por decisão judicial.
O furto seguiu o padrão dos anteriores cometidos pelo grupo goiano desde 2015. Em depoimento prestado à Polícia Civil ao ser preso, Elisson confirmou o que as câmeras de segurança do shopping já indicavam. Às 22h12 de 14 de fevereiro, o suspeito aparece nas filmagens entrando em uma ótica. Lá, permaneceu por toda a madrugada. À 1h50, deslocou-se até o estoque da loja e quebrou a parede para formar uma passagem e acessar a joalheria.
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Dez minutos depois, Elisson entrou na Vizzardi e iniciou uma ação que durou pouco menos de 14 minutos. Foi o suficiente para furtar o equivalente a R$ 1,2 milhão em itens de luxo, estimou o proprietário. As imagens também mostram Elisson em conversa no celular com uma segunda pessoa. Ele sai da loja às 11h25 de domingo.
Prisão
Policiais militares do estado de Goiás iniciaram uma varredura por Santo Antônio do Descoberto, onde reside Elisson. A informação era de que ele estaria em uma casa ao lado de uma distribuidora de bebidas.
Na delação, Elisson apontou nomes de supostos comparsas. Contou que, depois de Goiânia, seguiu para Taguatinga, encontrou com duas pessoas e os três foram à Feira dos Importados, no SIA. Lá, segundo ele, revenderam as joias furtadas por R$ 56 mil para um comerciante. Ainda em depoimento, contou que, após a negociação, pediu um transporte por aplicativo rumo à Santo Antônio do Descoberto.
Durante a prisão, os PMs encontraram com o suspeito três relógios e uma corrente masculina de ouro com pingente, produtos do furto. O juiz entendeu, porém, que a prisão foi efetuada no dia seguinte após a ocorrência, fato este que “não se constata a ocorrência de perseguição imediata apta a caracterizar o flagrante impróprio, tampouco se verifica a situação de flagrante presumido, uma vez que o ingresso no domicílio ocorreu dias após o fato, no contexto de investigação policial.” A Justiça decretou o relaxamento da prisão em flagrante e concedeu a liberdade ao acusado.
A Polícia Civil do Estado de Goiás continua com as investigações. A reportagem tenta contato com a defesa de Elisson. O espaço segue aberto para manifestações.
Rota Dourada
O Correio publicou a série especial “Rota dourada do crime”. Por três meses, a reportagem mergulhou nos bastidores da maior quadrilha especializada em furtos a joalherias do país.
O grupo é estruturado em núcleos — executores, financiadores e receptadores — e se desloca entre os estados burlando a fiscalização em rodoviárias interestaduais, com o uso de documentos falsificados.
