POLÍTICA

Base aliada do governo tenta alinhar discurso sobre caso BRB-Master

Parlamentares governistas na CLDF se reuniram, nesta quinta-feira (26/2), para tratar do projeto de lei que prevê como garantias nove terrenos do GDF para o Banco de Brasília captar cerca de R$ 6,6 bilhões no mercado financeiro

É unânime entre os deputados da oposição, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), a crítica ao projeto de lei do Executivo, que coloca terrenos públicos como garantia para possíveis empréstimos tomados pelo Banco de Brasília (BRB), que podem chegar a R$ 6,6 bilhões. Entre os parlamentares da base aliada, que representam a maioria na Casa, o clima é de dúvidas e incertezas. Parte dos governistas se reuniu, nesta quinta-feira (26/2), na residência do deputado Roosevelt Vilela (PL) para tratar do assunto, mas muitos deles ainda aguardam a reunião com o presidente do banco, Nelson de Souza, para bater o martelo sobre o voto. O encontro acontecerá nesta segunda-feira (2/3). Membros do Governo do Distrito Federal (GDF) não foram convidados para a reunião desta quinta-feira (26/2).

"As modificações na proposta estão sendo analisadas pela equipe técnica do nosso gabinete. Só após essa análise teremos uma posição sobre o novo projeto", disse, ao Correio, a deputada Jaqueline Silva (MDB). Essa é a avaliação da maioria dos deputados da base aliada. Outros preferiram não se manifestar. Não estão convencidos quanto à solução apresentada pelo projeto e aguardam a exposição de motivos do presidente Nelson de Souza, do BRB, para esclarecer as dúvidas e entender melhor o projeto.

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Os deputados Jorge Vianna (PSD) e Eduardo Pedrosa (União) se posicionaram na mesma linha. Querem entender melhor no que consiste a nova proposta antes de definirem se votarão a favor. Vale destacar que a base aliada possui 17 parlamentares, a oposição seis e Paula Belmonte (PSDB), declara-se independente. Mas a maioria dos distritais tem se queixado quanto ao conteúdo do novo projeto, que não contém os valores dos terrenos e o tamanho do rombo no BRB, mostra apenas os endereços dos imóveis e prevê o valor de R$ 6,6 bilhões como limite nas operações feitas com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou outras instituições financeiras. 

Mais detalhes

Dois parlamentares da base se manifestaram publicamente contrários à proposta. Na terça-feira (24/2), Thiago Manzoni (PL) reclamou da falta de informações mais detalhadas sobre o projeto e o tamanho do rombo. "A proposta é quase um cheque em branco, não tem sequer os valores dos terrenos", argumentou. A nossa postura de boa-fé, acreditando no que tinha sido apresentado, acarretou uma quebra de confiança. Da primeira vez, também de boa-fé, nós acreditamos e votamos no projeto enviado a esta casa", destacou, referindo-se ao projeto anterior que tratava da compra do Banco Master pelo BRB e foi aprovado na CLDF em agosto de 2025. 

Na quarta-feira 925/2), foi a vez do deputado Rogério Morro da Cruz (PRD) subir à tribuna e anunciar que também votará contra o projeto. O deputado chamou de irresponsável a gestão que conduziu o BRB à situação atual. Sobre a compra do Master, o deputado alega que confiou nos argumentos e documentos apresentados pelo governo em favor da negociação. "Nos foram apresentados pareceres que, à primeira vista, pareciam confiáveis. No entanto, o que se revelou depois foi um conjunto de inconsistências que nos conduziram à aprovação de uma medida temerária", alegou. 

Sob suspeitas de fraudes, o Banco Master foi liquidado em novembro de 2025. O imbróglio com o BRB e as reverberações negativas para Brasília começaram logo depois, quando investigações da Polícia Federal (PF) apontaram que, entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB transferiu ao Master cerca de R$ 16,7 bilhões, sendo pelo menos R$ 12 bilhões destinados à compra de carteiras de crédito falsas, segundo as primeiras investigações, que agora estão sob sigilo. 

 


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