LUTO

Morre Raimundo Cunha Neto, servidor aposentado do Senado e filho de Ari Cunha

Filho do fundador do Correio Braziliense, Neto deixa um legado de amor e dedicação à família e aos amigos

Raimundo Cunha Neto -  (crédito: Arquivo pessoal)
Raimundo Cunha Neto - (crédito: Arquivo pessoal)

Apaixonado por viagens, vinhos, tecnologia e notícias. Assim era Raimundo Cunha Neto, servidor aposentado do Senado Federal que morreu, aos 68 anos, na manhã desta quinta-feira (12/3), após lutar contra uma miopatia, condição que afeta os músculos. Neto, como ficou conhecido, era filho de Ari Cunha, fundador do Correio Braziliense, que morreu em 2018.

"Ele era um grande admirador do pai, viu o Correio ser formado e acompanhava, fielmente, a coluna do nosso avô", conta Alexandre, 39, filho mais velho de Neto, fazendo referência à coluna de opinião Visto, Lido e Ouvido, hoje assinada por Circe Cunha, irmã do servidor federal. Apesar de ter nascido em São Paulo, ele veio para Brasília ainda pequeno, durante a inauguração. 

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  • Neto com com a família: Alexandre, Patrícia, Jaqueline, o neto Gustavo, Guilherme e Celina (da esquerda para a direita)
    Neto com com a família: Alexandre, Patrícia, Jaqueline, o neto Gustavo, Guilherme e Celina (da esquerda para a direita) Material cedido ao Correio
  • Neto Cunha era amante de vinhos, viagens e momentos em família
    Neto Cunha era amante de vinhos, viagens e momentos em família Arquivo pessoal
  • Neto Cunha era amante de vinhos, viagens e momentos em família
    Neto Cunha era amante de vinhos, viagens e momentos em família Arquivo pessoal
  • Neto Cunha era amante de vinhos, viagens e momentos em família
    Neto Cunha era amante de vinhos, viagens e momentos em família Arquivo pessoal
  • Neto Cunha era amante de vinhos, viagens e momentos em família
    Neto Cunha era amante de vinhos, viagens e momentos em família Arquivo pessoal
  • Raimundo Cunha Neto
    Raimundo Cunha Neto Arquivo pessoal

Fotos compartilhadas com a reportagem mostram Neto sempre sorridente junto à família. Comemorando aniversários, lendo jornal e viajando. "Ele amava se aventurar pelo mundo. Nunca me esquecerei de quando vimos a aurora boreal juntos. Foi emocionante", revela o primogênito. Além dos vinhos, o filho de Ari era um admirador de Fórmula 1 e de aviação.

"Ele tentou ser aviador, mas devido a um problema no coração, não conseguiu. Acabou entrando para a faculdade de economia e, ainda cedo, tornou-se servidor no Senado, assumindo a direção de diferentes áreas", completa. 

Legado de companheirismo

Guilherme conta que, na juventude, o pai tentava se aproximar dos filhos jovens assumindo alguns comportamentos típicos dessa fase. "Ele cumprimentava a gente com soquinho e falava com gírias. Sempre foi vidrado em eletrônicos também", diz. Para a família, ele era a pessoa que resolvia todos os problemas. "Nossa senha do Wi-Fi era 'chamaneto'", acrescenta o filho.

A retidão e a gentileza extrema também marcaram a trajetória de Neto. Mesmo nos momentos em que a saúde estava debilitada, ele fazia questão de ceder seu espaço a quem precisasse e de manter a voz baixa em locais públicos, priorizando sempre o respeito ao próximo.

"Ele sempre foi exageradamente educado, pensando no direito do outro. Aprendemos muito com ele o valor de ser correto e de respeitar o ambiente e as pessoas ao redor", relembra Guilherme, que é roteirista. Essa essência refletiu-se na formação da família. "Criaram três seres humanos incríveis, que espalham a grandeza que tinha o Neto. São pessoas honestas, cuidadosas e amorosas, fruto direto dessa criação", destaca Patrícia Correa, 31, esposa de Alexandre.

Ari Cunha Filho definiu o irmão como um “grande sujeito”. Ao Correio, ele disse que Raimundo era um exemplo de caráter e dedicação à família. “O Neto era uma pessoa espetacular, boníssimo, honestíssimo. Eu acho até que é o melhor filho de nós quatro. Ele era um cara trabalhador, corretíssimo, e criou muito bem a família, sempre deu muito apoio. Era um paizão”, contou. 

Segundo Ari, o irmão construiu uma trajetória de vida muito bonita. “Viajou bastante pelo mundo, aprendeu muito e criava os filhos de uma maneira impressionante, com muito amor e carinho. Como cidadão, era perfeito, se é que isso pode existir. Nunca teve nenhum problema, nenhuma acusação. Sempre passou pela vida de forma correta. Essa doença o atacou violentamente, e nós o perdemos. Mas tenho certeza de que ele está na proteção de Deus.”

A também irmã, Circe Cunha, o definiu como uma pessoa extremamente cuidadosa, atenciosa e protetora. “Era um servidor exemplar. Há os que, por onde passam, agregam, enaltecem, valorizam as pessoas, deixam um rastro brilhante. Esse sempre será ele.”

Neto com os filhos Alexandre e Guilherme (de amarelo), as noras Patrícia (à esquerda) e Jaqueline e os netos Celina (no colo de Guilherme) e Gustavo, recém-nascido
Neto com os filhos Alexandre e Guilherme (de amarelo), as noras Patrícia (à esquerda) e Jaqueline e os netos Celina (no colo de Guilherme) e Gustavo, recém-nascido (foto: Arquivo pessoal)

Para a despedida, a filha caçula, Mariana, viaja de Vancouver, no Canadá, onde mora atualmente. O reencontro da família reforça os valores que o patriarca cultivou em vida. "Meu pai deixa um legado de cuidado, amor, união e fraternidade", resume Guilherme.

Além dos filhos Alexandre, Guilherme e Mariana, 35, — os três frutos do casamento com Araceli Sadeck Cunha, que morreu em 2012 —, ele deixa dois netos, Celina e Gustavo, e três irmãos, Circe, Ari e Eliana.  

O velório será nesta sexta-feira (13/3), às 14h, na Capela 7 do Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul.

 

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postado em 12/03/2026 18:46 / atualizado em 12/03/2026 22:27
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