Entrevista

'BC tem dado todo apoio. Ele sabe que o BRB é forte', diz presidente do banco

Em entrevista ao CB.Poder, Nelson Antônio de Souza explicou que os bens serão colocados em um fundo para gerar rentabilidade. O presidente do BRB comentou, ainda, sobre as medidas adotadas para recuperar a saúde financeira da instituição

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, comentou, durante o CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — , sobre as ações em curso para tentar recuperar a saúde financeira da instituição, entre elas, a transferência de imóveis públicos para um fundo de investimento. Aos jornalistas Carlos Alexandre e Sibele Negromonte, o executivo citou medidas adotadas em pouco mais de três meses de gestão, como a contratação de empresas especializadas para monitoramento das contas do BRB e a reformulação das equipes administrativas do banco.

Souza pediu o apoio da população de Brasília ao projeto e acrescentou que sistema financeiro compreendeu o que foi feito com a instituição. "Hoje, todos entenderam que o BRB é vítima. Houve um crime e tiraram recursos do banco, que estamos resgatando seja por meio da Justiça, de ações, seja fortalecendo a instituição em liquidez, em capital e em reputação de imagem", afirmou. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista. 

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Além dos imóveis, quais são as outras opções de capitalização do BRB?

Os próprios ativos do Banco Master, quase R$ 22 bilhões, que não vendemos ainda, porque a maioria dos ativos são bons. Queremos vender por um preço que seja satisfatório para o BRB. Não queremos entregar a um preço muito abaixo da cotação ou do valor de face. Por isso, estamos aguardando o momento certo para vender. Temos uma janela correta para nos desfazermos de ativos. Temos uma carteira de pessoas jurídicas, uma de pessoas físicas e uma carteira de 17 fundos de investimento no Brasil e dois no exterior. Outra opção são algumas subsidiárias que interessam muito ao mercado, e que também apresentam uma possibilidade de venda de participação ou uma venda de equity, de 49%, para que elas continuem sendo públicas. E temos letras financeiras subordinadas, no valor de quase R$ 4 bilhões no mercado, que podemos fazer recompra para gerar capital 

Na conversa de 12 horas que o senhor teve com os deputados distritais, na segunda-feira, como foi a recepção deles ao projeto?

Depois dessa conversa, eu entendi que a preocupação dos deputados é pertinente. O que eu fiz em 12 horas com o secretário de Economia, com o procurador-geral e o diretor da Terracap foi transparência ao máximo para que eles formassem convicção e pudessem dar seu voto com total clareza. Em uma votação anterior, eles se sentiram enganados. Na conversa, viram que o nosso interesse é apenas manter o BRB de pé e sadio. A existência de um banco estadual é muito bom para o DF. Significa ter uma economia forte e programas sociais. Caso o BRB deixe de existir, seriam R$ 215 bilhões a menos na economia do DF. Seriam R$ 6,8 bilhões de dividendos a menos para o governo. 

Na avaliação do senhor, faltou transparência na gestão anterior?

Eu não gosto de fazer julgamento de gestões passadas ou futuras, mas o que eu posso dizer é que o sentimento que ficou é de que algumas coisas não se concretizaram. O que eu quis fazer durante a conversa foi dividir os momentos: estamos vivendo um momento histórico no sistema financeiro nacional e um momento no qual o BRB precisa permanecer de pé e com condições de permanecer forte. 

Desde que o senhor assumiu, passaram-se três meses. O que de concreto foi realizado na gestão?

Tomamos algumas medidas em termos de austeridade. Vimos que não tinha como manter as mesmas coisas com a situação em que o banco se encontra. Uma delas foi o festival de vela em Dubai. O aeroporto de Brasília tinha envelopamento de Dubai, que é algo louvável, mas custava alguns milhões para o banco. Todos os projetos foram reduzidos para diminuir as despesas, especialmente de marketing e publicidade. Em termos de governança, mudamos praticamente a diretoria inteira, mudamos o conselho de administração, o comitê de auditoria e os colegiados de maneira geral. Além disso, contratamos empresas de auditoria independente e forense e uma de investigação, que já fizeram os primeiros achados. Esses documentos foram encaminhados à Polícia Federal, ao STF, à CVM e ao Banco Central e culminaram em um novo inquérito policial. Inclusive, na semana passada, entramos com um arresto — apreensão de bens do devedor para garantir o pagamento de uma dívida — em 23,5% das ações do BRB que estão em free float (ações disponíveis para livre negociação no mercado). Vimos que havia carteiras do banco que estavam indo para o Banco Master, Rio e Pleno, e não para nós, que somos donos. Peticionamos, no STF, que deu 48 horas para o novo representante dos bancos restabelecer o fluxo financeiro e a devolução das carteiras. O prazo acaba hoje (ontem). 

Há muita expectativa sobre o balanço do BRB, que deve ser divulgado até 31 de março. O senhor afirmou que o banco sairá mais forte. O que esperar desse balanço? 

O Banco Central tem dado todo apoio. Ele sabe que o BRB é forte. Estamos com o nosso balanço do terceiro trimestre atrasado. As demonstrações financeiras de 2025 não estão atrasadas, pois ainda temos prazo. Acertamos com o BC que a divulgação do terceiro trimestre de 2025 mais o exercício pleno de 2025 serão divulgados no fim do primeiro trimestre deste ano, já com o aporte de capital feito e com o banco regularizado. Inicialmente, teríamos 180 dias para regularizar. Entretanto, como o BRB é listado em Bolsa e tem 33% das ações em free float, temos até 31 de março para divulgar o balanço. Por isso antecipamos a Assembleia Geral Extraordinária para o aporte de capital para 18 de março. Estou confiante de que vai dar certo.

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