Homicídio

Professor que assassinou companheira volta a dar aulas no DF e é demitido

O professor Igor Azevedo Bomfim é assassino confesso de Mayara de Souza. O crime ocorreu na Bahia. Após o homicídio, ele mudou-se para o DF, formou família e começou a dar aulas


Condenado a mais de 10 anos de prisão pelo assassinato da então companheira Mayara de Souza Lisboa Azevedo, 22 anos, o professor Igor Azevedo Bomfim — solto pela Justiça em novembro de 2024 — voltou a dar aulas na rede pública do DF como docente temporário. A reinserção gerou reação de familiares e amigos da vítima.

Mayara foi morta em 2010, no município de Santa Rita de Cássia, a 1.000 km de Salvador (BA), a tiros, enquanto tomava banho. Depois de 12 dias do crime, Igor apresentou-se a uma delegacia da Bahia e confessou o homicídio. Alegou que matou a jovem “em defesa da honra” — a tese era usada para justificar feminicídios ou agressões contra mulheres. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou como inconstitucional por violar a vida, a dignidade e a igualdade de gênero.

No estado nordestino, o professor sentou no banco dos réus, mas foi absolvido. Mudou-se, em 2013, para a capital federal, formou família e começou a lecionar. Em 15 de novembro de 2024, foi detido pela PMDF no Guará. Cinco dias depois, no entanto, uma decisão judicial deferida pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) concedeu alvará de soltura ao professor. 

Na publicação no Diário Oficial do DF de 11 de dezembro de 2025 consta o nome de Igor na lista dos professores temporários substitutos aprovados no processo seletivo da rede pública de ensino. Ele lecionava, desde o começo do ano letivo, no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 03 da Estrutural. Em nota enviada ao Correio, a Secretaria de Educação (SEEDF) informou a demissão de Igor nesta terça-feira (10/3).

“Cumpre ressaltar que, no momento da contratação, o profissional apresentou toda a documentação exigida para o ingresso no serviço público temporário, incluindo certidões negativas de antecedentes criminais, com resultado “nada consta”, expedidas pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), conforme previsto nos procedimentos administrativos de admissão de servidores e profissionais temporários”

O órgão esclareceu, ainda, que a Corregedoria da Pasta adotou as providências cabíveis, mediante a instauração de procedimento de natureza sigilosa.

O crime


O Correio teve acesso a documentos judiciais da época que relatam o antes, o durante e o depois do brutal assassinato da vendedora. Segundo o inquérito policial, o criminoso desenvolveu um ciúmes obsessivo pela vítima que “extravasava os limites da normalidade”. O professor a perseguia, desconfiava da sua fidelidade e monitorava cada passo da vítima. De acordo com a polícia, no dia do crime, em 2 de novembro de 2010, a situação se tornou insustentável depois de uma discussão em que Igor apontou uma arma de fogo para o rosto da companheira durante a madrugada. A mulher, desesperada, pediu a um amigo que vigiasse a casa enquanto ela tomava banho.

Igor saiu da casa e fingiu ir embora. De posse de um revólver calibre .38, saltou o muro dos fundos da residência e alcançou Mayara no banheiro. Ainda de toalha, ela foi morta a tiros. Igor fugiu de moto até a fazenda do pai. Depois de 12 dias, o assassino se apresentou à delegacia.

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