A Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil (CHPP/PCDF) concluiu as investigações e encerrou o inquérito que apura a morte de três pacientes na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga, entre novembro e dezembro do ano passado. Os técnicos de enfermagem acusados do crime, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa, 28, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, tiveram as prisões preventivas decretadas e cumpridas.
Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (12/3), a Polícia Civil detalhou sobre os indiciamentos dos acusados. Marcos vai responder por três homicídios triplamente qualificados (por emprego de veneno, traição/meio insidioso e mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido), falsificação de documento particular (duas vezes) e uso de documento falso (duas vezes). Marcela foi indiciada pelos três homicídios. Já Amanda, por duas das três mortes.
"A pena dos dois primeiros, caso sejam condenados, pode chegar a até 90 anos de reclusão. Em relação à terceira técnica de enfermagem, pode ser de até 60 anos de reclusão", afirmou o delegado Wisllei Salomão, chefe da CHPP. As prisões temporárias foram convertidas em preventivas pela Justiça nessa terça-feira (10/3).
Mortes
As vítimas assassinadas foram a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75, o servidor da Caesb João Clemente, 63, e o servidor dos Correios Marcos Moreira, 33.
A investigação do caso que abalaria três famílias começou na véspera de Natal de 2025. A PCDF foi procurada pelo Hospital Anchieta e informada que a Comissão de Óbitos havia identificado a possibilidade de três homicídios terem ocorrido nos leitos da UTI da instituição. Por meio do acesso a prontuários e a imagens de câmeras de segurança, foi detectado o comportamento suspeito dos três técnicos de enfermagem na ocasião em que dois pacientes internados morreram de forma suspeita.
Diante da suspeita, o hospital passou a investigar outras mortes ocorridas nesse mesmo padrão e detectou, em 1º de dezembro, um terceiro óbito. Finalizada a auditoria interna, a instituição comunicou o caso à polícia. A investigação se tornou prioritária no momento em que a equipe foi informada que Marcos — demitido do Anchieta — estava trabalhando na UTI neonatal de um hospital infantil, também em Taguatinga.
Em uma força-tarefa entre a Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), o Instituto Médico Legal (IML) e o Instituto de Criminalística, foram expedidos os mandados de busca e apreensão, em 12 de janeiro, e, três dias depois, os envolvidos foram presos temporariamente em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO). Marcos, o principal investigado, era quem injetava as substâncias nas veias dos pacientes. Também estudante de fisioterapia, trabalhou em vários hospitais, públicos e privados, durante cerca de cinco anos. Há um ano estava no Anchieta.
Frieza
Durante o interrogatório, Marcos negou inicialmente os fatos, afirmando que tinha apenas seguido a receita passada pelo médico. Porém, após ser confrontado com as imagens — desde ele sentado no computador do médico até a aplicação do medicamento —, confessou o crime. “Até estudantes de enfermagem e medicina, e técnicos ainda em nos primeiros anos de curso sabem que não se aplica essa substância dessa forma”, destacou o delegado à época.
Os três investigados foram “extremamente frios” durante os interrogatórios. “Quando passamos os vídeos, eles não manifestaram surpresa nem choque. Também não demonstraram arrependimento”, completa Salomão. Marcela também negou o crime, afirmando não saber o que Marcos aplicava nos pacientes. Diante dos vídeos, ela contou ter se arrependido de não impedir o ato nem avisar a equipe do hospital, além de confirmar saber que a substância utilizada poderia matar se aplicava de forma indevida.
Amanda, por outro lado, negou os fatos e afirmou achar que Marcos estava apenas aplicando medicamentos corriqueiros, apesar de as imagens mostrarem ela vigiando a porta enquanto o suspeito injetava as substâncias nas vítimas. Confrontada, ela manteve-se em silêncio. Nenhum dos três elucidou a motivação do crime.
