A capital federal recebe, nesta terça-feira (17/3), um novo e impactante marco visual na paisagem urbana. Em frente ao SESI Lab, em uma área de intensa circulação próxima à Rodoviária do Plano Piloto, foi inaugurado o primeiro "Banco Vermelho Gigante" fixo do Distrito Federal. Com três metros de altura por quatro de largura, o mobiliário não é apenas uma peça de urbanismo, mas o ícone central de um movimento nacional que busca transformar o luto em luta e erradicar o feminicídio no Brasil.
A iniciativa é do Instituto Banco Vermelho (IBV), fundado após a experiência dolorosa de Andréa Rodrigues e Paula Limongi, que perderam amigas próximas para o feminicídio. O projeto, que já se tornou Lei Federal (14.942/24), utiliza a cor vermelha para simbolizar o sangue derramado por mulheres e o sinal de "pare" do trânsito, emitindo um alerta urgente. O lema gravado no banco é direto: “Sentar e refletir. Levantar e agir.”
De acordo com Andréa Rodrigues, presidente do IBV, o objetivo é tirar a violência doméstica da invisibilidade. "O banco é um elemento que convida a sociedade a participar dessa reflexão. Ele oferece canais de informação, como o Ligue 180, e a mensagem de que a mulher não está sozinha. Ele não acabará com o feminicídio sozinho, mas oferece a prevenção que pode salvar vidas", explica Andréa. Ela destaca que, no Brasil, o quinto país que mais mata mulheres no mundo, uma mulher é vítima de feminicídio a cada seis horas.
A vice-presidente do Instituto, Paula Limongi, ressalta que a instalação no centro da capital é estratégica para romper o caráter "velado" da violência doméstica. "As mulheres sentem vergonha de falar e não sabem como pedir ajuda. Quando colocamos um mobiliário desse tamanho na rua, provocamos a sociedade para uma luta que é de todos", afirma. Paula enfatiza a necessidade de envolver os homens diretamente no diálogo: "90% de quem pratica a violência é o companheiro ou ex-companheiro. Enquanto não falarmos com eles, os números continuarão aumentando".
A chegada do banco fixo a Brasília é fruto de uma parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou o papel educativo do SESI Lab como ambiente ideal para o monumento. "O futuro depende das crianças e jovens. Não podemos permitir que essa estatística continue. O 'levantar para agir' é o que mais importa; precisamos de braços para mudar essa cultura ultrapassada", defende Alban.
O cenário no Distrito Federal ainda é desafiador. Segundo a Secretária de Justiça, Marcela Passamani, embora o DF possua programas de atendimento individualizado para as vítimas, os dados seguem alarmantes, com 18 casos registrados apenas no início de 2026. "Muitas vezes, a violência é normalizada dentro dos lares. Precisamos impactar esses homens e mostrar que viver sem violência é um direito, não um privilégio", pontua a secretária.
O Instituto Banco Vermelho já está presente em todas as regiões do Brasil, com mais de 100 bancos gigantes e centenas de bancos menores espalhados por 17 unidades da federação. Em Brasília, além do novo banco fixo no SESI Lab, o movimento conta com uma unidade itinerante que percorre eventos. A proposta é que a iniciativa se ramifique: qualquer comunidade pode adotar o projeto, pintando bancos de praça de vermelho e incluindo frases de conscientização e o número 180, seguindo o manual oferecido pelo Instituto.
