CB DEBATE

Marcelo Café critica 'romantismo' e cobra diálogo com artistas da Ceilândia

Em fala contundente no CB.Debate, cantor e produtor cultural lamentou ausência de autoridades nos painéis técnicos e denunciou dificuldades de ocupação dos espaços públicos na cidade

O segundo painel do CB.Debate — Ceilândia em Movimento, nesta terça-feira (31/3), foi marcado pelo tom crítico e direto do cantor e produtor cultural Marcelo Café. Com 30 anos de carreira, o artista questionou o que chamou de "olhar romântico" sobre as dificuldades da periferia e lamentou que as autoridades políticas e administrativas, que discursaram na abertura, não tenham permanecido para ouvir os realizadores da cidade. "Falam da cultura e da potência, mas quem faz essas transformações está aqui no púlpito, e eles não estão aqui para nos ouvir", pontuou.

Café denunciou um distanciamento entre o setor produtivo e a classe artística local, ressaltando que os grandes empresários da região ainda não utilizam leis de incentivo para fomentar festivais que conversem verdadeiramente com a identidade de Ceilândia.

Para o músico, o fazer cultural foi reduzido a "espetáculo" pelo poder público. "Fazer cultura não é simplesmente levar grandes nomes de fora para a cidade. É conversar com a comunidade e com o artista local. No aniversário da cidade, não vimos no palco a diversidade do samba, do rap, da batalha ou do reggae", criticou.

O artista também trouxe a público dificuldades enfrentadas na gestão de espaços icônicos, como a Casa do Cantador. Café relatou impedimentos burocráticos e falta de entendimento sobre as manifestações afro-brasileiras por parte de gestores, o que teria dificultado a realização de eventos tradicionais como o Tardesinha do Samba. 

Ao encerrar sua participação, Marcelo Café defendeu a revitalização do centro da Ceilândia e da Praça Central por meio da ocupação cultural, e não apenas pelo viés comercial. "Brasília movimenta bilhões na economia criativa, mas os nossos artistas precisam sair daqui para trabalhar porque os senhores não conversam conosco. Nós não vivemos de luz; o artista paga aluguel e precisa de respeito profissional", argumentou.

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