
Nascida do sonho de erguer uma capital no coração do país, Brasília sempre foi mais do que concreto e traço modernista. A cidade é feita de ideias e de pessoas que ousam colocá-las em prática. Há 66 anos, os primeiros pioneiros transformaram o Cerrado em símbolo de futuro. Hoje, esse espírito segue vivo, reinventado em salas de aula, laboratórios, pesquisas e projetos que atravessam fronteiras.
Nesse percurso, a Universidade de Brasília (UnB) ocupa um lugar central. Pensada como um projeto inovador desde a origem, a instituição acompanha, e muitas vezes antecipa, os movimentos da própria capital. Para a reitora Rozana Reigota Naves, que tem sua trajetória pessoal e profissional entrelaçada com a história da cidade, a UnB segue como espaço de formação de novos pioneiros: aqueles que, todos os dias, ajudam a redesenhar o presente e projetar o futuro. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista com a reitora.
Qual a importância de Brasília em sua trajetória acadêmica e profissional?
Brasília faz parte da minha própria identidade. Eu nasci aqui, venho de cidade-satélite, e construí toda a minha trajetória profissional na capital. Formei-me em Letras e fui professora da Universidade Católica de Brasília e, agora, completo 20 anos na UnB. Tenho uma gratidão muito grande pela cidade e pelas oportunidades que ela me ofereceu. Do ponto de vista acadêmico, sem dúvida, mas também político, já que estamos no centro das grandes decisões do país. Esse olhar mais politizado, que circula pela universidade e pela cidade, é constitutivo de quem somos.
O que mais marcou sua caminhada até chegar à reitoria da UnB?
Sempre fui muito ligada à vida da cidade e da universidade, com muita curiosidade sobre esse ambiente. Brasília tem uma efervescência cultural muito própria. Mesmo quando não estávamos nos grandes circuitos, havia uma movimentação importante, das bandas de rock ao cinema. E, do ponto de vista científico, a UnB sempre foi vista como um sonho para muitos jovens do Distrito Federal. Esse desejo de pertencer à universidade marca profundamente a minha trajetória.
Na sua visão, qual foi o ponto de virada em sua carreira?
Foi durante a minha primeira gravidez. Eu havia iniciado o curso de Administração na UnB, mas naquele momento decidi seguir minha vocação, que era ser professora. Optei por cursar Letras, e essa escolha orientou toda a minha trajetória a partir de 1991.
A UnB nasceu com uma proposta inovadora. Como essa vocação se mantém hoje?
A universidade está presente em diferentes territórios do Distrito Federal, com campi em Planaltina, Ceilândia e Gama, além do Darcy Ribeiro. Também estamos nos polos de extensão e em programas que vão além do DF, chegando a regiões como Acre e Bahia. A UnB segue projetando conhecimento para fora da capital, mantendo viva a ideia original de ser um polo estruturante no centro do país.
De que forma a universidade contribui para formar os novos pioneiros?
A UnB continua alinhada às demandas do nosso tempo. Estamos envolvidos em projetos internacionais, como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, além de iniciativas como a implantação de uma UTI inteligente no Hospital Universitário. Também avançamos com supercomputadores, o curso de Inteligência Artificial, o projeto Genoma SUS e ações voltadas ao meio ambiente, como o Instituto Nacional do Cerrado. Tudo isso reforça nossa posição de vanguarda científica e tecnológica.
Qual é o papel da universidade no desenvolvimento cultural de Brasília?
A universidade sempre teve um papel importante na cultura da cidade. Muitas bandas surgiram aqui, ligadas à luta pela democracia. Estamos retomando iniciativas como o Festival de Música (Finca), os jogos universitários e projetos nas áreas de teatro e artes. Queremos fortalecer essa UnB efervescente, onde a vida acadêmica se mistura com a cultural, a artística e a esportiva.
Como a senhora vê a universidade como parte do sonho do ensino superior hoje?
Estamos trabalhando para nos aproximar ainda mais das escolas, fortalecendo programas como o PAS, que completa 30 anos. Também ampliamos as formas de ingresso e as políticas de inclusão, como as cotas. A mensagem para a juventude é clara: continuem sonhando. A universidade está mais aberta e diversa, e é fundamental que os jovens ocupem esse espaço, especialmente em um momento no qual a defesa da educação e da democracia é tão importante.
E sobre o avanço da diversidade dentro da universidade?
Esse é um desafio que assumimos como instituição. A universidade precisa refletir a sociedade. A diversidade nos exige aprimorar processos pedagógicos e sociais, além de garantir acesso e permanência. O resultado é a formação de profissionais mais diversos, que levam para a sociedade valores como respeito, diálogo e promoção da paz.
Como a senhora se imagina daqui a 10 anos em Brasília?
Eu me imagino feliz e realizada por ter contribuído com o desenvolvimento da universidade e da cidade. A educação é a base do futuro do país, e é nesse campo que espero deixar meu legado.
E a UnB, como será daqui a 10 anos?
Imagino a universidade ainda mais projetada nacional e internacionalmente, entre as cinco mais lembradas. Mais do que rankings, queremos estar na vanguarda do conhecimento e influenciar debates fundamentais, como inteligência artificial, democracia e mudanças climáticas.
Que conselho a senhora daria às próximas gerações?
Acreditem no seu potencial e na força da juventude. É importante construir uma sociedade baseada no respeito, na solidariedade e na equidade. Esses são valores fundamentais para o futuro.

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