
Foi em meio ao movimento de ocupação urbana e reinvenção dos espaços que nasceu o Infinu, iniciativa que busca traduzir, na prática, o potencial da economia criativa em Brasília. Idealizado por Miguel Galvão, o projeto surgiu durante a pandemia a partir da percepção de uma lacuna na cena cultural da cidade: a falta de espaços estruturados para pequenos palcos e produções alternativas.
Dessa necessidade o espaço tomou forma, descrito por ele como "o pequeno palco mais fantástico e endiabrado do país, servindo como aeroporto interestelar atendendo artistas alternativos querendo brilhar em solos candangos".
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Miguel lembra que, assim que o empreendimento começou a funcionar, sua vida mudou completamente. Ao lado de outros sócios, ele já era responsável pelo evento PicniK e dividia a rotina entre os projetos culturais e a carreira como economista. "Consegui equilibrar tudo por apenas um ano, quando então tive de escolher e abrir mão do campo mais ortodoxo, a economia, para dedicar de cabeça aos projetos culturais. Essa mudança me forçou a conviver com mais pessoas, diferentes e inesperadas, o que me proporcionou um crescimento pessoal importante", ressalta.
Para Miguel, o espírito de colaboração e diversidade que o Infinu mantém vivo até hoje dialoga diretamente com a própria concepção de Brasília, pensada como um ponto de encontro de diferentes origens. "Isso está facilmente visível no Infinu observando a diversidade de nossa programação e do público que frequenta o espaço e também pela forma inusitada que ocupamos a W3 Sul, mostrando que os becos entre os blocos podem na verdade ser praças de convívio social e trazendo um compromisso estético com as atividades e tudo o mais que é feito", explica.
No futuro, a expectativa é de continuidade, desde que o espaço siga fazendo sentido dentro da cena cultural de Brasília. "Torço para que ele esteja diferente (para melhor!) e continue relevante dentro da cena, além de fiel aos seus princípios fundadores, que buscam somar com a construção de uma realidade mais colaborativa, cooperativa, compartilhada e socioambientalmente responsável", destaca.

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