Novos detalhes da investigação conduzida pela 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas) revelam que Bruna Stephanie Freitas Brandão, de 36 anos, assassinada na noite de sexta-feira (3/4) no Riacho Fundo, vivia sob constante ameaça. Segundo o delegado Josué Pinheiro, a vítima morava anteriormente em Caldas Novas (GO) e decidiu fugir para o Distrito Federal há cerca de um ano, justamente para escapar das agressões de Elenilton Pereira, 36. Este é o sétimo feminicídio do ano no DF.
O histórico de violência era antigo. Em 11 de abril do ano passado, Bruna chegou a registrar uma denúncia contra o ex-companheiro, o que resultou na expedição de uma medida protetiva de urgência com validade de 180 dias.
A tragédia ocorreu na QN 8 após o agressor alegar desejo em visitar o filho do casal, um bebê de apenas 2 anos, como pretexto para encontrar a ex-mulher. Elenilton viajou de Caldas Novas e seguiu direto para a residência da vítima. O crime foi executado na sala da casa, com uma faca da própria cozinha, no momento em que a criança estava presente.
O atual companheiro de Bruna estava no imóvel, mas em outro cômodo. Após ser esfaqueada, a mulher foi socorrida por uma vizinha e levada à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da região, mas não resistiu aos ferimentos e morreu pouco após dar entrada na unidade.
Elenilton fugiu a pé logo após o ataque, carregando uma mochila, mas foi capturado por militares do 28º Batalhão cerca de uma hora depois, próximo ao viaduto de Samambaia. Em um depoimento informal à Polícia Militar, o suspeito apresentou uma versão controversa, alegando que atacou Bruna porque, ao chegar na casa, "desconfiou de uma armadilha" contra ele.
A tese, no entanto, não é confirmada pela Polícia Civil, que trabalha com a linha de feminicídio premeditado por vingança e sentimento de posse. O autor foi preso em flagrante e responderá pelo crime, cuja pena é agravada pelo fato de ter sido cometido na presença de descendente e em descumprimento ao histórico de medidas protetivas.
Onde pedir ajuda
» Ligue 190: Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Serviço disponível 24h por dia, todos os dias. Ligação gratuita.
» Ligue 197: Polícia Civil do DF (PCDF). E-mail: denuncia197@pcdf.df.gov.br. WhatsApp: (61) 98626-1197. Site: www.pcdf.df.gov.br/servicos/197/violencia-contra-mulher.
» Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, canal da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres. A denúncia pode ser feita de forma anônima, 24h por dia, todos os dias. Ligação gratuita.
» Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam): funcionamento 24 horas por dia, todos os dias.
Deam 1: previne, reprime e investiga os crimes praticados contra a mulher em todo o DF, à exceção de Ceilândia. Endereço: EQS 204/205, Asa Sul. Telefones: 3207-6172 / 3207-6195 / 98362-5673. E-mail: deam_sa@pcdf.df.gov.br.
Deam 2: previne, reprime e investiga crimes contra a mulher praticados em Ceilândia. Endereço: St. M QNM 2, Ceilândia. Telefones: 3207-7391 /3207-7408 / 3207-7438.
