Investigação

Polícia indicia Hermeto por rachadinha

Esposa do parlamentar e chefe de gabinete também estão sendo investigados. Deputado afirma que acusações partiram da ex-esposa e diz confiar na Justiça

O Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor) da Polícia Civil indiciou o deputado distrital Hermeto (MDB), líder do governo na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), por suspeita de participação em um esquema de "rachadinha" dentro do gabinete. Além de exercer a liderança do governo, Hermeto preside o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa.

De acordo com a investigação, iniciada a partir de denúncias, servidores comissionados seriam obrigados a devolver parte dos salários ao parlamentar. A prática teria começado em janeiro de 2019. O crime apontado pela polícia é o de concussão, caracterizado pela exigência de vantagem indevida por parte de agente público, em razão do cargo.

Também foram indiciados o chefe de gabinete, Licérgio Oliveira de Souza, e a esposa do deputado, Keilla Alves de Almeida. O delegado Leonardo Castro, da Decor, explicou que as investigações seguem em sigilo.

Defesa

Hermeto negou irregularidades e atribuiu as denúncias a um conflito pessoal com a ex-esposa Vanusa Lopes. O inquérito foi aberto em 2019, após o fim do relacionamento. "No momento em que me separei dela, exonerei todos o funcionários ligados a ela, que começaram a me denunciar por rachadinha. Ela, inclusive, me denunciou na Lei Maria da Penha e por crimes sexuais, o que foi arquivado por denunciação caluniosa", disse.

O deputado questionou o momento em que o inquérito foi apresentado. "Causa estranheza que faltando seis meses para as eleições esse inquérito, de 2019, que estava parado, retorne e, de uma hora para a outra, a polícia peça o meu indiciamento. Acho estranho isso, porque em 2022 foi a mesma coisa", afirmou. 

"Eu confio no trabalho da polícia e confio na Justiça, de que terei a chance de me defender e ser inocentado", completou o deputado.

Keilla, que atua como assessora da Presidência do Senac, acredita que foi incluída entre os indiciados por conta de mensagens encontradas no celular do chefe de gabinete do marido. "Quando pegaram o celular dele (Licérgio), tinha mensagens de uma pessoa com quem eu trabalhava me repassando dinheiro", alegou.

"A minha relação com essa pessoa foi por uma questão empreendedora. É um empresário reconhecido e bem-sucedido. A gente tinha a intenção de trabalhar juntos. As mensagens cobrando valores eram de pagamentos, de prestações de serviços que eu fiz", declarou. 

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que o chefe de gabinete de Hermeto movimentou cerca de R$ 1,6 milhão entre 2018 e 2023. Na casa dele, também foram encontrados R$ 46,6 mil em espécie. 

Licérgio negou irregularidades. "É importante esclarecer que o período mencionado inclui o ano de 2018, quando não havia exercício de mandato. Já no intervalo entre 2019 e 2023, todas as movimentações financeiras possuem origem lícita e compatível com a renda declarada, podendo ser devidamente comprovadas", observou. Ele acrescentou que valores eventualmente apreendidos foram devolvidos após comprovação de legalidade. 

O chefe de gabinete evitou atribuir motivações diretas às denúncias. "Não cabe, neste momento, fazer juízos de valor ou antecipar conclusões sobre a motivação das denúncias, sobretudo diante de uma investigação em curso. No entanto, é fato que as alegações partiram de pessoas que mantinham vínculos com a ex-esposa do deputado e ocorreram após serem exoneradas", afirmou.

 

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