Diante do início do julgamento da maior chacina do Centro-Oeste, o sentimento predominante entre os familiares das vítimas é de dor, revolta e expectativa por justiça. Irmão de Elizamar da Silva, uma das dez pessoas assassinadas, Ismael da Silva Rocha resume o que a família vive desde o crime: “É uma ferida que nunca fecha”.
Em frente ao Fórum de Planaltina, onde ocorre o júri, ele afirmou que, apesar da revolta, a família busca justiça. “O sentimento é de revolta. A gente quer justiça. A gente pede a Deus todo dia que ilumine a mente do juiz, do promotor, dos advogados, dos jurados, para que eles apliquem a pena máxima”, disse.
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Três anos após os crimes, o julgamento reacende a dor. Segundo Ismael, reviver os acontecimentos tem sido difícil para todos os familiares. “É muita tristeza. A gente carrega isso todos os dias. Mas hoje a gente tem a esperança de que comece a fazer justiça, para ter pelo menos um alívio”, afirmou.
O impacto do caso, segundo ele, também afetou diretamente a saúde da família. “Eu mesmo adoeci. Minha mãe depende de calmantes, outros irmãos também sofrem muito. É uma dor constante”, relatou.
Outro ponto que torna o crime ainda mais marcante para a família é o fato de um dos acusados, Gideon, ter frequentado a casa das vítimas. Ismael relembrou que ele chegou a ser recebido em momentos de convivência. “A gente acolhia, tratava bem. Meu padrasto fazia churrasco, recebia como se fosse da família. E ver uma pessoa assim cometer uma barbaridade dessas é algo que a gente não consegue entender”, disse.
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Apesar da dor e da revolta, ele reforça a expectativa de que o julgamento traga uma resposta. “A gente espera que esse caso não seja esquecido e que a justiça seja feita. É o que a família espera”, reforçou.
O julgamento segue ao longo da semana, com cinco réus acusados de matar dez pessoas da mesma família, em um caso que chocou o Distrito Federal pela violência e pelas circunstâncias dos crimes.
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