Em entrevista exclusiva ao Correio, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que os ativos do Banco de Brasília (BRB) passaram a atrair maior interesse do mercado financeiro após a proposta de aquisição de R$ 15 bilhões dos ativos que eram vinculados ao Banco Master, apresentada na última sexta-feira. A oferta surgiu após uma série de reuniões da governadora e do presidente do banco, Nelson de Souza, com possíveis investidores em São Paulo.
"Temos muitas propostas na mesa, desde a semana passada para cá, melhorou muito. Eu acredito que a gente, com todas as ressalvas, teríamos condição de sair rapidamente dessa situação. Quando a gente teve essa proposta de R$ 15 bilhões de fundos do Master, isso chamou a atenção do mercado", afirmou Celina.
Segundo a governadora, o encontro com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi essencial na mudança da percepção sobre o banco. "Foi a primeira vez que o acionista controlador do BRB sentou com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com players do mercado financeiro", destacou Celina. "Essa nossa postura de mostrar que o banco tem um controlador forte traz um novo momento e uma nova imagem para o mercado", complementou.
Na última semana, Celina Leão esteve com grandes investidores em São Paulo em busca de soluções para o banco. Como fruto dessa mobilização, o fundo Quadra Capital demonstrou interesse em adquirir R$ 15 bilhões em parte dos ativos do Master que foram comprados pelo BRB.
Na segunda-feira, Celina voltou a São Paulo para tratar de aportes ao BRB. Nelson de Souza acompanhou a governadora na capital paulista. Desde que assumiu o governo do DF, Celina está à frente da crise na busca pela capitalização do BRB.
Empréstimo
Paralelamente às negociações com investidores, o Governo do Distrito Federal (GDF) articula um aporte de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). De acordo com a governadora, o fundo tem se mostrado receptivo à proposta. "O Fundo Garantidor sabe que se o BRB estivesse em uma situação mais grave, seria péssimo para o mercado financeiro, pela dimensão do banco, que eles teriam que entrar com recurso", afirmou.
Celina destacou que o GDF reconheceu a gravidade do momento e tem atuado de forma direta para encontrar soluções. "Nós assumimos a responsabilidade de buscarmos soluções com firmeza, e eu acredito que vai dar certo", destacou.
BRB mais enxuto
Dentro das medidas para salvar o banco, o presidente Nelson de Souza informou ao Correio que analisa um plano de redução de despesas que resultará no fechamento de agências e cortes em diferentes áreas do banco que não estiverem dando resultados.
Nelson afirmou que a análise sobre fechamento de agências será extremamente criteriosa. "Vamos mensurar caso a caso, sem nenhum alarde. Onde tivermos negócios que sejam bons para o banco, vamos manter, como em Tocantins, João Pessoa e Maceió, onde temos folha de pagamento", antecipou. "Nossa prioridade é manter o bom atendimento e o conforto dos clientes", completou.
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