Mercado financeiro

BTG avalia ativos do BRB

Gestora Quadra Capital tem o banco de André Esteves entre os investidores por trás da negociação com a instituição pública do DF

Fundo negocia compra de R$ 15 bilhões em ativos do Master. Proposta foi encaminhada pelo GDF para o Banco Central, para avaliação  -  (crédito: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília)
Fundo negocia compra de R$ 15 bilhões em ativos do Master. Proposta foi encaminhada pelo GDF para o Banco Central, para avaliação - (crédito: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília)

Gestora paulista especializada em crédito e localizada na região da Avenida Faria Lima, a Quadra Capital passou a fazer parte do intricado cenário de recuperação do Banco de Brasília (BRB). O fundo de investidores estaria interessado em adquirir uma carteira de ativos em posse do BRB, ligados ao banco Master, em um negócio em torno de R$ 15 bilhões. A informação sobre a Quadra Capital foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. 

A gestora é ligada a investidores de peso, como o Banco BTG. Procurado, o BTG não comentou o assunto.

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Ontem, em um evento em São Paulo, o chairman do BTG, André Esteves, disse que está olhando para ativos do BRB para aquisição, com exceção daqueles que vieram do Banco Master. "Já compramos ativos, estamos olhando outros ativos (do BRB), mas não vamos olhar os do Master", afirmou Esteves, após participar do painel de abertura da Conferência de Carreiras, promovido por um braço do BTG Pactual, em São Paulo. No evento, Esteves comentou, ainda, que outros grandes bancos estão comprando ativos do BRB. O Bradesco e o Itaú já negociaram com o BRB R$ 1 bilhão em carteiras de contratos de empréstimos concedidos pelos estados e municípios com aval da União.

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A presença de um banco maior ou um grupo de investidores daria suporte à operação com a gestora Quadra Capital, na avaliação do economista e professor de Finanças do Insper Ricardo Rocha. "O fundo pode não ter dinheiro, mas pode emitir cotas e ter um comprador por trás que vai aportar os recursos. Nsse caso parece que há investidores para as cotas desse novo fundo, resta saber quem são os cotistas", destacou. Ele lembrou que existem compradores para diversos tipos de carteira no mercado financeiro, inclusive, de moedas podres, especialmente se houver algum estímulo tributário.

A composição da equipe de sócios da Quadra Capital divide especialistas ouvidos pelo Correio. Alguns elogiam o currículo, outros apontam operadores ocultos envolvidos com o Master. Mas a principal dúvida é o tamanho do patrimônio da companhia, que declarou em documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) administrar um total de R$ 3,2 bilhões de recursos.

Na base de dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que recebe informações dos operadores do mercado, aparecem apenas dois fundos da Quadra Capital, com patrimônio inferior a R$ 100 milhões. Trata-se de dois Fundos de Investimentos Financeiros (FIF) atualizados na listagem da gestora. Apenas um deles tem patrimônio positivo, de R$ 87,4 milhões, divididos entre 12 cotistas, com um rendimento acumulado em 12 meses de apenas 3,33%. O administrador do fundo de crédito privado é o banco BTG Pactual.

O BTG também é o gestor do outro fundo da Quadra Capital, conforme os dados da Anbima, mas não há patrimônio nem cotistas listados. O fundo tem um rendimento negativo em 12 meses. Procurada pelo Correio, a assessoria de imprensa da Quadra Capital não comentou o assunto.

Fraudes

O escândalo das fraudes no Master deflagrado pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que identificou R$ 12,2 bilhões em fraudes na venda de carteira de créditos podres do Master para o BRB, deixou o banco brasiliense em situação delicada. O rombo na instituição brasiliense deve superar os cerca de R$ 6,5 bilhões inicialmente informados ao Banco Central, podendo chegar a R$ 8 bilhões, conforme algumas estimativas de fontes do mercado. 

O banco controlado pelo GDF negocia um empréstimo de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Mas o Fundo, que já desembolsou cerca de R$ 52 bilhões em pagamentos para credores e investidores do Master e subsidiárias desde o início do ano, até o momento não sinalizou interesse em avançar na operação. 

Vale lembrar que o FGC, mantido com recursos de bancos públicos e privados, é uma espécie de seguro para o sistema financeiro. Não tem a função de oferecer socorro a instituições com problemas de liquidez. Nas tratativas com o BRB, o FGC tem condicionado o empréstimo à divulgação do balanço do banco, no qual será possível avaliar o tamanho do prejuízo provocado pelas operações com o Master. O balanço, que deveria ter sido apresentado em 31 de março, está marcado para 30 de abril.

 


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postado em 14/04/2026 00:01 / atualizado em 14/04/2026 00:23
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