A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), fez críticas a gestão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso, nesta quinta-feira (16/4), pela Polícia Federal. A declaração foi dada durante agenda pública, após a nova fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias envolvendo o sistema financeiro.
“Eu não tinha avaliações, até porque a gente não tinha relação. Eu tinha muitas críticas ao Paulo. Eu fiz uma reunião pública com o setor produtivo três, quatro meses antes do acontecimento da operação. Eu já falava que eu iria trocá-lo do meu governo, que ele não ficaria”, afirmou.
“Não tinha informações sobre absolutamente nada, mas achava a gestão dele muito longe da necessidade da população do Distrito Federal. Muito ligado a outros fatores que não têm a ver com o dia a dia. Patrocínio de corrida em Dubai, patrocínio de lancha em Miami. Então isso não tem nada a ver com a realidade do dia a dia”, completou.
Celina afirmou que recebeu a prisão com tranquilidade e que, à frente do governo, tem interesse direto na elucidação do caso. “Espero que toda essa situação seja esclarecida e que as pessoas que estiveram envolvidas, paguem por isso. Sempre houve uma dúvida se era uma falha, se era uma decisão técnica ou se foi uma decisão em cima de algum tipo de benefício, e eu acho que o processo judicial que vai demonstrar isso", afirmou. "Hoje, eu que assumo todo o problema, uma das pessoas que mais realmente quer que isso seja solucionado, que as pessoas que fizeram isso sejam punidas, sou eu”, completou.
Sobre os impactos da investigação e da prisão nas negociações em curso para reforçar o caixa do BRB, incluindo pedidos de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), Celina minimizou possíveis efeitos negativos. “As pessoas tinham uma previsibilidade de que tem um processo que está em curso, tem pessoas que estão sendo investigadas. Até porque o banco está sob nova gestão. É importante separar o banco de toda essa situação, porque o BRB é um banco sólido, é um banco realmente que vai sair deste momento de dificuldade”, afirmou.
A governadora destacou que o governo local sempre confiou na atuação das autoridades. “A gente sempre tem confiança que a Justiça iria fazer seu trabalho, que ela iria fazer as investigações, e eu recebo com muita tranquilidade. A gente sempre se posicionou que nós nunca participamos, nós nunca anuímos nenhuma decisão sobre BRB, mas eu, como governadora agora, tenho grandes responsabilidades, que é realmente de salvar o banco, e a gente faz isso com muita transparência”, disse.
Segundo ela, medidas foram adotadas desde o início da gestão para aumentar o controle sobre a instituição. “Todos os meus gestos desde o começo, quando nós assumimos o governo, foi que a auditoria acontecesse, foi que as pessoas fossem trocadas. E agora a Polícia Federal chega à materialidade de fatos, de conversas. Eu não tive acesso ao inquérito, tudo que eu fiquei sabendo de 6h da manhã para cá é pela imprensa”, acrescentou.
A governadora reforçou que pretende manter mudanças na condução do banco. “Eu sei ser governadora, eu sei escolher o meu time, eu sei retirar aquelas pessoas que não estão produzindo e eu sei realmente que a gestão, em alguns pontos, precisa de mudar, e é isso que eu estou fazendo”, destacou.
