
O ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, chegou à sede da Polícia Federal por volta das 9h desta quinta-feira (16/4), em Brasília, para cumprir os procedimentos iniciais após a prisão determinada no âmbito das investigações que apuram fraudes bilionárias envolvendo o sistema financeiro.
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A entrada ocorreu pelos fundos do prédio, sem contato com a imprensa. Ele estava escoltado por agentes no veículo oficial, em uma movimentação discreta.
Dentro da superintendência, Costa ainda será submetido ao exame de corpo de delito, etapa padrão antes da transferência para o sistema prisional. Após o procedimento, ele deve ser encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda. O horário da remoção, no entanto, ainda não foi definido pelas autoridades.
Negociações do Master na mira da PF
A prisão do ex-dirigente é mais um desdobramento das apurações que miram a relação entre o BRB e instituições financeiras privadas, sob suspeita de irregularidades em operações de grande porte. Investigadores avaliam possíveis fraudes envolvendo ativos e transações consideradas atípicas. As prisões de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e do advogado do Banco Master, Daniel Lopes Monteiro, fazem parte da 4ª fase da Operação Compliance, deflagrada na manhã desta quinta-feira (16/4).
As mensagens obtidas pela Polícia Federal nas investigações mostram que Paulo Henrique negociava imóveis com Vorcaro em meio a operação com o Master. "Se o Daniel puder fazer e enviar o contrato, seria ótimo. Conversei com a minha esposa e estaremos em SP na próxima semana. Seria legal mostrar o apartamento para ela", diz um trecho da mensagem de Paulo Henrique. Em seguida, o ex-presidente do BRB recebe a resposta: "Vou alinhar tudo com Daniel. Vou te passar uma pessoa que te mostrará o apto".
Paulo Henrique Costa, presidiu a instituição entre janeiro de 2019 e novembro de 2025. Com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro, ele foi executivo em diferentes cargos na Caixa Econômica Federal entre 2001 e 2018 e no Banco Panamericano entre 2011 e 2013. Foi membro do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI) e do Conselho de Administração da Brazilian Securities Companhia de Securitização.
A defesa de Paulo Henrique classificou a prisão “absolutamente desnecessária”. O advogado Cleber Lopes afirmou que ainda analisa os fundamentos da decisão, mas adiantou que não vê justificativa para a detenção neste momento. “No primeiro momento a defesa considera que o Paulo Henrique não representa nenhum perigo para a instrução, para a aplicação da lei penal. Ele está em liberdade desde a primeira fase da operação, não há notícia de que ele tenha praticado qualquer fato que pudesse atentar contra a instrução criminal, contra a ordem pública, contra a aplicação da lei penal, de maneira que a defesa considera, em um primeiro momento, a prisão absolutamente desnecessária”, declarou o advogado.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, se manifestou por meio de nota divulgada à imprensa, e destacou que cabe à Justiça a apuração dos fatos e eventual julgamento. “Os fatos envolvendo o ex-presidente do BRB estão sob análise do Poder Judiciário, a quem compete a devida apuração e julgamento”, informou.
Na noite desta quarta-feira (15/4), o Itaú Unibanco informou que uma de suas subsidiárias firmou compromisso para adquirir ativos do BRB, após questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre notícia veiculada no Correio. A solicitação de esclarecimentos foi motivada por uma reportagem publicada na terça-feira (14/4) que mencionava o interesse de grandes bancos em ativos do BRB, incluindo negociações envolvendo carteiras de crédito com aval da União.
Também foi preso nesta quinta, em São Paulo, o advogado Daniel Lopes Monteiro, apontado pelas investigações da Operação Compliance Zero como o operador jurídico-financeiro de um esquema de corrupção e gestão fraudulenta envolvendo o BRB e o Banco Master. De acordo com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, Daniel Monteiro não atuava apenas como defensor técnico, mas como uma peça estrutural da engrenagem criminosa.
Saiba Mais
Danandra Rocha
Repórter de políticaFormada pela Faculdade Anhanguera de Brasília, tem experiência em assessoria, televisão e rádio. É repórter da editoria de Política, na cobertura do Congresso.
Mila Ferreira
RepórterJornalista graduada pelo IESB e pós-graduada em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global pela PUC-RS. Experiência como roteirista e assessora de comunicação pública e corporativa. Repórter na editoria de Cidades do Correio Braziliense
Aline Gouveia
SubeditoraJornalista formada pelo Centro Universitário Iesb. É subeditora do site. Escreve e edita reportagens de temas variados, de ciência à política. Interessada em pautas de direitos humanos

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