Chacina

'Espero que eles peguem a maior pena possível', diz irmã de Cláudia, vítima da chacina

Alzira Pereira, irmã de Cláudia Regina e tia de Ana Beatriz, acompanha desfecho do julgamento em Planaltina e clama por justiça rigorosa para os cinco réus da chacina

Enquanto o Conselho de Sentença se aproxima de um veredicto, as vozes dos familiares que buscam justiça ecoam em frente ao Tribunal do Júri de Planaltina. Entre elas, a de Alzira Pereira, de 52 anos, que viajou do Rio de Janeiro para acompanhar o desfecho da maior chacina do Distrito Federal. Irmã de Cláudia Regina e tia de Ana Beatriz, Alzira expressa uma indignação que vai além da brutalidade do crime: ela clama por uma resposta contundente do Judiciário.

Para Alzira, a gravidade dos fatos exige o rigor máximo da lei. "Espero que eles peguem a maior pena possível. Com todos os erros processuais, a gente espera que eles recebam a punição mais alta", afirma. Ela rebate com veemência as afirmações feitas durante o processo que tentaram rotular sua irmã como "amante" de Marco Antônio Lopes de Oliveira. "Minha irmã era casada com o Marcos. Ofender a honra de uma mulher morta é inadmissível. Estamos aqui para elevar a verdade", desabafa.

A ex-atleta ressalta que o foco na estrutura familiar de Marco Antônio acabou por "invisibilizar" a dor da perda da irmã e da sobrinha. Ela afirma que Cláudia e Ana Beatriz foram tratadas como figuras secundárias em um crime de perversidade extrema. "É como se elas não tivessem família. Mas a Cláudia tem família materna e estamos aqui fazendo questão de dizer que elas tinham nome e dignidade", pontua Alzira, que critica a falta de sensibilidade com que o núcleo das duas vítimas foi abordado nas sustentações.

Ao falar sobre o destino dos cinco réus — Gideon Batista, Horácio Carlos, Carlomam dos Santos, Fabrício Silva e Carlos Henrique —, Alzira é categórica sobre a responsabilidade coletiva, especialmente na morte das três crianças envolvidas (Gabriel, Rafael e Rafaela). "No direito da criança e do adolescente, todos nós somos responsáveis. Se eles tinham ciência de que havia três crianças e nenhum deles fez nada, todos são culpados, o que atuou menos ou o que atuou mais", destaca.


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