Inclusão

Eixão Atípico: evento da OAB-DF é um porto seguro no coração de Brasília

Em prol de uma sociedade mais consciente quanto às necessidades de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o evento recheado de alegria reuniu familiares e visitantes neste domingo (26/4)

Aos domingos pela manhã, o Eixão costuma ser o ponto central para inúmeras reuniões. Entre as corridas matinais e o lazer preenchendo os espaços, a vida pulsa no coração da cidade. Nesse domingo (26/4), acolhimento e inclusão fizeram parte dessa rotina brasiliense. Em prol de uma sociedade mais consciente quanto às necessidades de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), um evento recheado de alegria reuniu familiares e visitantes.

A quarta edição do Eixão Atípico, promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), trouxe uma manhã de atividades adaptadas, música e troca de experiências. Para o presidente da OAB-DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, a iniciativa vai além da diversão momentânea. "Nossas comissões se integram para mostrar que não pode ter diferença, que a gente precisa estar de coração aberto para mostrar que todo mundo merece respeito", afirmou. 

Ele ressaltou que, embora o evento seja anual, a luta por direitos deve ser constante. "As pessoas com autismo e doenças raras precisam de integração e do Estado, principalmente. E nós vamos continuar cobrando isso. Eles precisam do nosso apoio e carinho", complementou.

Além do suporte emocional, a programação atraiu brasilienses de diversas regiões administrativas. Morador do Riacho Fundo, Therisson Barbosa Braga, 32 anos, estava na companhia do filho, Téo Luís, 4, que é autista nível 1 de suporte. Para ele, momentos como esse são fundamentais, sobretudo pelas vivências que são compartilhadas e ensinamentos absorvidos. "Isso é essencial para a gente, ajuda tanto os pais quanto os filhos a terem atividades e aprenderem mais sobre como trabalhar isso no dia a dia", avaliou o pai, que se divertia com o pequeno torcedor do Gama em meio às brincadeiras.

Eduardo Fernandes - Presidente da OAB-DF, Paulo Maurício, o Poli: "Respeito"

Rede de apoio 

A jornada diária da maternidade atípica não é nada fácil. Para as mães que enfrentam essa rotina de cuidados, o evento serviu como um respiro. A enfermeira Carolina Miranda, 38, levou a pequena Luísa, 5, para a reunião no Eixão. Para a moradora da Asa Norte, ocasiões iguais a de ontem são essenciais na luta por direitos das pessoas com transtorno de espectro autista.

"Nós que somos mães atípicas de neurodivergentes, normalmente nos sentimos muito sozinhas nessa jornada. Estar aqui, com todo mundo acolhendo a minha filha, é transformador. Acredito que, acima de tudo, precisamos acolhê-los e estarmos sempre presentes. Fazemos todo o cuidado com ela de forma integrativa", desabafou. 

Segundo Carolina, a convivência com a filha é um ensinamento diário. Leveza, serenidade e muito amor, são apenas algumas das lições trocadas entre as duas. "Tenho que ter a calma de respirar e ensinar que está tudo bem. Levo isso para a vida: esperar o momento certo e acolher as emoções dela. Luísa verbaliza muito bem, sabe dizer o que sente. No início, antes do diagnóstico, era mais difícil. Agora, estamos nos encontrando", acrescentou.

A rotina, no entanto, é reconhecidamente exaustiva. Kelly Cristina Alves, 28, moradora da Candangolândia, dedica-se exclusivamente aos cuidados do filho Davi, de quase 2 anos. Ela aproveitou a manhã de domingo para gastar a energia do pequeno e desmistificar conceitos sobre o autismo de nível 1. "O povo fala que é levezinho, mas ele tem muita rigidez alimentar e não gosta de silêncio. É uma jornada longa, puxada e cansativa, mas vamos vencendo um dia de cada vez", relatou.

Conscientização

Mais do que música, dança e orientações de especialistas, a programação aproximou pais e mães. E, tudo isso, unindo o lazer ao conhecimento técnico sobre a causa. 

Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Abril Azul é dedicado à disseminação de informações em combate ao estigma em torno do TEA. O ponto alto da campanha ocorre em 2 de abril, data em que monumentos ao redor do mundo são iluminados de azul para pautar debates urgentes sobre direitos, inclusão e o fim do preconceito. 

Eduardo Fernandes/ CB/ DA PRESS -
Eduardo Fernandes/ CB/ DA PRESS -
Fotos: Eduardo Fernandes/ CB/ DA PRESS -

 


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