A cinco meses das eleições, a pré-candidata ao Governo do Distrito Federal pelo PSDB, Paula Belmonte, falou sobre alianças de seu grupo político e seus planos para o governo, ontem, no programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Às jornalistas Ana Maria Campos e Denise Rothenburg, a deputada distrital comentou sobre o apoio do ex-senador José Antônio Reguffe (Solidariedade) à campanha dela e a crise do Banco de Brasília (BRB). Confira, a seguir, os principais pontos.
Como estão as construções das alianças do seu grupo político? A senhora realmente pretende ser candidata ao governo do Distrito Federal?
Nós estamos nessa construção da pré-candidatura ao GDF. Já era algo que estávamos pleiteando nas eleições passadas com o ex-senador Reguffe. Estamos nesse mesmo grupo político. O PSDB tem uma federação com o Cidadania. Do mesmo lado, também temos o Solidariedade com o PRD junto conosco para que a gente possa compor uma chapa majoritária.
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O que leva a senhora a ser candidata ao GDF?
Eu nunca imaginei estar na política. Sou mãe de seis filhos, tenho 52 anos. O que me leva à política é esse amor pelo Brasil. Semana passada, Brasília fez 66 anos. As pessoas vieram para cá com coragem, com desafio, querendo que a cidade fosse referência de políticas públicas. Eu sou fruto da escola pública, eu vivenciei essa cidade. Fiz escotismo, andava pelas cidades, acampei em vários lugares. O que a gente vê hoje em Brasília é uma tristeza. Não tenho outra palavra para dizer. Brasília hoje é uma cidade considerada rica, mas as pessoas não sabem o que acontece nas Regiões Administrativas. Estamos passando por um constrangimento total da maior fraude financeira em relação ao nosso banco. O governo gastou mais do que devia nesses últimos anos e as políticas não estão acontecendo. Creio que a política e a honestidade sejam importantes. A gente precisa ter confiança nesse Estado, que tem que oferecer para as pessoas uma certa confiança. Saber que eu posso ficar doente no hospital e ser atendido, posso caminhar na rua e não ser assaltado. A política quando é desenvolvida com responsabilidade, com gestão, ela é benéfica para as pessoas. A gente precisa mudar esses políticos e trazer a boa nova. Eu acredito que nós seremos a boa nova de Brasília.
A senhora foi presidente da Comissão de Fiscalização da Câmara Legislativa e fez várias audiências cobrando respostas do governo. Que análise a senhora faz em relação a esse déficit que foi divulgado agora pelo novo secretário de Economia?
Eu peço licença para que nós possamos colocar os nomes com mais transparência para o leitor. Além dessa máquina desgovernada, é uma falta de gestão e de responsabilidade. O GDF foi irresponsável com um orçamento bilionário. Temos o terceiro maior orçamento do Brasil. Teríamos que ter aqui funcionando educação pública para as crianças com toda qualidade. Sou uma das deputadas que mais coloca dinheiro em escola em emenda parlamentar, que eu gosto de dizer que é dinheiro da população para a população. Há escolas que não têm refeitório, não têm um ginásio. Imagina um adolescente de 14 anos sentado em uma escada, nos corredores, comendo com aquele prato e aquela colher azul, no chão. As pessoas nos hospitais sendo atendidas no chão. As pessoas não querem saber se o sistema é Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges), se é Secretaria de Saúde. Elas querem ter confiança no governo. É isso que nós vamos mostrar.
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Houve uma irresponsabilidade. Se a gente passar a ter responsabilidade, começamos a mudar o jogo. É preciso combater a corrupção. Fui presidente da Comissão de Fiscalização e Transparência. Existem contratos emergenciais por anos dentro da Secretaria de Saúde. O Iges estava devendo aos terceirizados. O instituto pega um orçamento bilionário. Precisamos de boa gestão, de um governo que trata de Estado, que faça uma gestão que digitaliza os processos. Hoje, por exemplo, a Secretaria de Educação tem várias planilhas de Excel. Como que, em 66 anos de Brasília, a capital federal desse Brasil tão amado, trabalha ainda com planilha de Excel. O programa da Secretaria de Saúde não fala com o do Iges, que não fala com o Hospital Universitário de Brasília (HUB), porque não fala com o Ministério da Saúde. Precisamos trazer um governo moderno. Tenho certeza que só com responsabilidade e com transparência, a gente vai conseguir trazer a confiança que tantos brasileiros precisam e merecem.
A gente vê que têm alguns outros pré-candidatos lançados e que a senhora circula e conversa bem com vários deles. Como vai ser a campanha? Vai ser sem ataques, a não ser ao governo, de que vocês são todos críticos?
Penso que essa campanha tem que ser propositiva. Hoje, Brasília merece uma governadora que possa propor ideias e consistências na sua fala. Vejo que estamos num mundo muito polarizado. A polarização fomenta os polos, mas não constrói nada. Tanto é que tem esse governo há quase oito anos que praticamente não construiu escola, não construiu hospital, deixou o BRB, banco da nossa alegria, do nosso Estado, praticamente liquidado. Estão tentando correr atrás do grande prejuízo que foi. Precisamos unir pessoas que pensem em Brasília e nós queremos fazer com que a capital seja essa cidade próspera. Eu procuro conversar com todos.
No fim de semana teve um encontro do PSDB local em que foi discutido um possível apoio ao ex-ministro Ciro Gomes, que foi indicado pelo presidente do partido, deputado federal Aécio Neves, como um candidato ao Planalto. A senhora acredita que o PSDB vai ter candidato?
O nosso encontro no sábado foi com todos os pré-candidatos. Foi o primeiro diretório que se posicionou a favor de uma candidatura que não esteja dentro desses polos, que é hoje a candidatura que está sendo posta pelo PSDB, do Ciro Gomes. Vamos apoiar quem realmente queira construir um Brasil que a gente possa falar que corrupção tem que acabar, que a gestão tem que existir em todos os governos. O ex-governador Ciro Gomes, quando foi ao Ceará, deixou a educação, a segurança pública como os melhores índices, de boa gestão. É isso que nós acreditamos para Brasília e para o Brasil. Vamos apoiar exatamente a um candidato que não signifique esses polos.
A senhora falou que é importante salvar o BRB. Que solução a senhora enxerga para essa crise?
Sempre fui uma crítica em relação a essa questão do BRB, inclusive dos patrocínios. Sempre questionei isso. Temos uma situação de superendividados. Acompanhamos, até hoje, servidores que não recebem praticamente nada e o BRB fazia com que eles se tornassem praticamente escravos de empréstimos após empréstimos. Temos uma situação de não transparência. O presidente (do BRB) Nelson Antônio de Souza esteve na Câmara Distrital e se comprometeu comigo a passar o laudo dos valores dos terrenos que iam ser aplicados. Ele nunca passou esse laudo. Então, a primeira coisa que nós precisamos ter é transparência. Até hoje, nem eu, nem você e nem ninguém sabe o valor real do prejuízo do BRB. Os balanços desde o ano passado não foram divulgados. É por meio da transparência que todos nós acabamos fiscalizando e começamos a propor soluções. A Reag conseguiu comprar 21% do BRB. Conseguiram bloquear, mas isso não significa que a Reag não é dona do BRB. Toda solução que nós dispormos vamos estar ajudando a Reag.
O banco, hoje, teve a nota rebaixada pela Fitch, agência global de classificação de risco. A senhora acha que o BRB ainda tem salvação?
Eu quero estar na luta para que ele tenha salvação. Mas, enquanto tiver uma gestão que não seja transparente, não terá salvação. Por isso, Brasília tem que mudar.
Estagiária sob supervisão de Márcia Machado
