
Uma organização criminosa do Distrito Federal vinculada ao Terceiro Comando Puro (TCP), do Rio de Janeiro, foi alvo de uma megaoperação da Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (6/5). Mais de 200 policiais cumprem 39 ordens judiciais — 14 de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão — nas cidades de Samambaia e Ceilândia.
A operação Eiron é coordenada pela 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte) e recebe o apoio das delegacias de polícia circunscricionais da PCDF, além do DOE, DOA, Canil e DALOP. A ofensiva visa desarticular a engrenagem criminosa voltada ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na área da QR 421.
Em outubro de 2025, os investigadores descobriram a artimanha do grupo na venda de e crack, cocaína, lança-perfume, haxixe (“dry”) e maconha em diferentes variações, como “skunk” e “ice”. Uma das estratégias para despistar a polícia e manter o controle territorial sem gerar denúncias, era promover “ações assistencialistas.”
De acordo com o delegado Marcos Miranda, a organização chegou a financiar e organizar festas comunitárias em datas comemorativas, como o Dia das Mães e o Dia das Crianças, utilizando exclusivamente recursos oriundos do narcotráfico. “Era uma forma que buscavam assumir o papel de falsos provedores e mascarar a violência imposta à vizinhança.”
A investigação também revelou a estratégia financeira adotada pelo grupo, que consistia na aquisição e gestão de estabelecimentos aparentemente lícitos, como distribuidoras de bebidas, quiosques e padarias. Esses negócios eram utilizados para camuflar o armazenamento e a comercialização de drogas.
Em uma padaria chamada Bella Massa, por exemplo, os suspeitos usavam a mesma balança destinada à pesagem de pães para fracionar entorpecentes. As drogas eram escondidas no estabelecimento.
Venda nas redes sociais
Por meio de perfis das redes sociais, os criminosos divulgavam “cardápios” com drogas de alto valor agregado. As negociações ocorriam via aplicativos de mensagens, e as entregas funcionavam no formato delivery.
Os envios eram feitos em embalagens de delivery do McDonald’s, mecanismo para dificultar o rastreio. Os pagamentos, segundo as investigações, eram pulverizados por meio de transferências via PIX para contas bancárias de terceiros (“laranjas”).
Apesar da fachada assistencialista e do discurso de aparente empreendedorismo, a violência praticada pelo grupo era evidente. As investigações flagraram integrantes ostentando armas de fogo de grosso calibre e realizando a limpeza de armamentos no interior de veículos.
Em um dos locais utilizados pela organização, foi constatado que um usuário de drogas foi brutalmente espancado durante a madrugada, evidenciando as severas punições impostas pelo chamado “tribunal do tráfico” àqueles que ameaçassem os interesses do grupo.
Esse contexto de violência também atingiu um dos próprios investigados. Em fevereiro deste ano, durante o curso das apurações, o corpo de um dos alvos foi encontrado boiando no Lago Paranoá. As circunstâncias da morte são investigadas.
O vínculo com a facção oriunda do Rio de Janeiro era estampada até mesmo nos muros das casas dos investigados. Nas paredes, exibiam, em pintura, o símbolo da Estrela de Davi, em alusão à organização carioca.
Os envolvidos responderão pelos crimes de tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de capitais. Somadas, as penas podem ultrapassar 35 anos de reclusão.

Cidades DF
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