Esquema de golpe

"Não devo nada", dispara influenciador do DF alvo de operação contra fraude em bets

Esquema de golpes virtuais chegou a movimentar R$ 11 milhões com plataformas de apostas online, mais conhecida como "Jogo do Tigrinho"

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa e estelionato -  (crédito: Redes sociais/Reprodução)
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa e estelionato - (crédito: Redes sociais/Reprodução)

O influenciador digital Robert Lucas, de 22 anos, conhecido nas redes sociais como “Rei dos Métodos”, se pronunciou sobre a operação interestadual deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal contra um suposto esquema de fraudes envolvendo plataformas de apostas virtuais. Ele é um dos alvos das ação policial, que cumpriu mandados em sete estados e resultou no bloqueio de R$ 11 milhões, valor que, segundo as investigações, teria sido movimentado por um grupo criminoso estruturado.

De acordo com a corporação, o esquema utilizava redes sociais para atrair vítimas com a promessa de ganhos fáceis. Influenciadores digitais teriam papel central na estratégia, divulgando resultados supostamente lucrativos e direcionando seguidores para links manipulados. A polícia aponta que contas “demo” eram usadas para simular apostas bem-sucedidas, enquanto, na prática, os valores depositados pelas vítimas eram desviados sem a realização real de jogos.

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Um dos principais nomes associados ao caso, Robert Lucas passou a se manifestar publicamente após as ações da polícia. Em vídeos divulgados nas redes sociais, o jovem nega envolvimento com crimes e afirma ser alvo de acusações infundadas. “Não devo nada, entendeu? Tanto é que se eu devesse eu já tava preso”, declarou. Ele também afirmou confiar na Justiça e disse que aguarda o andamento das investigações.

O influenciador questionou a origem das informações divulgadas sobre o caso e criticou a cobertura midiática. “Da onde que sai essas informação? Quem que passa essas informação?”, disse, mencionando reportagens exibidas na televisão. Em outro momento, demonstrou indignação com a forma como sua imagem tem sido exposta: “Botaram minha cara no jornal. Botaram um bocado de coisa no meu nome”.

Robert Lucas também contestou os valores atribuídos a ele nas investigações. Segundo a polícia, o grupo teria movimentado cerca de R$ 11 milhões, com alguns investigados registrando altas quantias diárias em transações. O influenciador, no entanto, afirmou nunca ter tido acesso a esse montante. “Se brincar, eu nem vi 11 milhão de reais na minha vida”, disse, acrescentando que não possui bens de luxo como os citados nas apurações.

O jovem relatou impactos pessoais das medidas judiciais e das buscas realizadas em sua residência. Ele afirmou que bens conquistados ao longo da vida foram apreendidos e descreveu o momento como difícil. “Depois que tiraram tudo de mim, tentei me reerguer e mais uma vez tudo levado de novo”, afirmou.

O influenciador também negou qualquer vínculo com organização criminosa, rebatendo diretamente uma das principais suspeitas levantadas pela investigação. “Tão tentando empurrar um líder de quadrilha organizada. Já tentaram me envolver com todo tipo de crime”, disse.

Apesar das declarações, a Polícia Civil (PCDF) sustenta que há indícios de uma estrutura criminosa com divisão de tarefas, incluindo recrutamento de participantes, uso de CPFs de terceiros e conexão com plataformas estrangeiras. As investigações tiveram início após uma operação realizada em julho de 2024, na residência de um influenciador em Brazlândia, que já levantava suspeitas sobre a divulgação de ganhos falsos.

A Justiça determinou o bloqueio de valores nas contas dos investigados, enquanto o caso segue em apuração. Os suspeitos podem responder por crimes como organização criminosa e estelionato. Até o momento, não há decisão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.

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postado em 06/05/2026 10:57
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