Crime

Mestre de capoeira foi morto por amigo de infância após cobrança

O corpo de Agnel Tavares Feliciano, 58 anos, foi encontrado carbonizado em janeiro, em uma estrada de terra. O suspeito do crime é Cristiano Gomes, já condenado por crimes de violação sexual

Agnel estava no Jeep Renegade encontrado a cerca de 2km do Assentamento Santa Luzia, no Parque Nacional de Brasília -  (crédito: Redes sociais)
Agnel estava no Jeep Renegade encontrado a cerca de 2km do Assentamento Santa Luzia, no Parque Nacional de Brasília - (crédito: Redes sociais)

O mestre de capoeira Agnel Tavares Feliciano, 58 anos, era influente no submundo do jogo do bicho e da agiotagem. Mantinha, em diferentes regiões do DF, pontos destinados às atividades. Em 12 de janeiro, o corpo dele foi encontrado carbonizado dentro do carro blindado, em uma estrada de terra do Parque Nacional. Até este sábado (9/5), a polícia mantinha a investigação sob sigilo, enquanto costurava os bastidores e identificava quem estaria por trás da execução. O suspeito do crime é Cristiano Gomes da Silva, ex-líder religioso e condenado a crimes de violação sexual.

No dia 12, Agnel saiu de casa antes das 7h para, supostamente, receber de Cristiano parte do pagamento oriundo do jogo do bicho, segundo as investigações. Os dois carregavam uma amizade de infância. Frequentavam os mesmos círculos e mantinham intimidade e confiança.

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Por telefone, combinaram o encontro em Brazlândia, local onde Cristiano morava e um dos pontos geridos por Agnel. O valor da dívida estaria em torno de R$ 400 mil, mas apenas parte do montante seria pago. Às 12h12, o Corpo de Bombeiros do DF recebeu o chamado sobre um carro em chamas numa estrada isolada, próximo ao Assentamento Santa Luzia, na Cidade Estrutural. Dentro do veículo, estava o corpo de Agnel.

O cadáver estava totalmente carbonizado no banco traseiro do Jeep Renegade. A área é desprovida de qualquer câmera de segurança, o que dificultou as investigações. Mas a perícia atestou elementos suficientes de que tratava-se de um homicídio: confirmou-se que a vítima foi morta antes do incêndio provocado intencionalmente.

Identificação

O carro blindado indicava para a polícia conhecimento prévio do autor. Os investigadores acreditam que Agnel foi morto ainda em Brazlândia e desovado na estrada de terra.

O delegado à frente do caso, Marco Farah, da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), afirmou que, ao longo das apurações, ficou evidente a participação de Cristiano no crime. Após o homicídio, o amigo de infância de Agnel logo saiu do DF e passou um tempo fora. Retornou. “Nós sabíamos que haveria uma celebração para o Dia das Mães e cumprimos o mandado de prisão preventiva. Houve, durante o cumprimento, intimidação contra a polícia, mas digo que foi o nosso dia.” De acordo com o delegado, as investigações prosseguem.

Ficha criminal

Em 2022, o Correio revelou que Cristiano foi indiciado pela PCDF pelo crime de violação sexual mediante fraude e estupro. Segundo as investigações, o então líder religioso usava a posição para violentar mulheres sexualmente. Ao menos quatro vítimas relataram abusos.

Segundo uma das vítimas, os abusos teriam ocorrido em 16 de agosto, 21 e 28 de setembro de 2022, conforme consta na denúncia do Ministério Público do DF (MPDFT). A mulher relatou que, enquanto realizava uma sessão de "limpeza espiritual", o homem pediu que ela tirasse a calcinha e o sutiã a pedido da "divindade". Ainda de acordo com o relato da vítima, após se despir, o acusado teria começado a passar, com as mãos, ingredientes pelo corpo dela, apalpando as partes íntimas.

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postado em 09/05/2026 19:01 / atualizado em 09/05/2026 19:06
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