
O Projeto RiSUS realiza ações culturais nas Unidades Básicas de Saúde 1 e 2 da Cidade Estrutural. Entre abril e junho, serão realizadas 18 ações nas duas unidades. A iniciativa atua por meio da palhaçaria popular para promover a saúde integral de pessoas atendidas e em tratamento, potencializando as UBSs como espaços vivos de bem viver, leveza e cuidado.
As ações realizadas incluem visitas nos ambientes de espera e intervenções nos grupos comunitários das UBSs, conhecidas popularmente como postinhos. As unidades compõem a chamada Atenção Primária à Saúde (APS), nível de atendimento considerado a porta de entrada para o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.
Institucionalmente, essas unidades já atuam com foco na saúde integral, preventiva, contínua e com forte vínculo comunitário. Para o Projeto RiSUS, a palhaçaria se insere dentro desse contexto como uma prática artística que contribui para a humanização do cuidado.
O projeto de ação continuada RiSUS - Arte, Saúde e Palhaçaria, é formado por Rebeca Torquato, Marcelo Nenevê e Caroline Severiano, três artistas apaixonados pela atuação cuidadosa, afetuosa e relacional promovida pela palhaçaria na saúde.
Rebeca Torquato é palhaça e psicóloga, especializada em saúde pública. Marcelo Nenevê é palhaço, professor, comunicador e ator, com mestrado sobre palhaçaria na visitação hospitalar. Caroline Severiano é palhaça e figurinista, com treinamento com os Doutores da Alegria.
Com base na Educação Popular em Saúde, o projeto atende crianças e adultos a partir da escuta, da improvisação e da ludicidade, enxergando em cada paciente uma pessoa para além do quadro clínico.
“A palhaçaria também é uma tecnologia de cuidado e, com ela, buscamos potencializar a UBS como um espaço de relação afetiva e de entendimento de que ter saúde inclui também ter acesso à cultura e à dignidade”, declara Rebeca Torquato.
Atualmente, o RiSUS é o único grupo profissional de palhaçaria que atua exclusivamente em espaços de Atenção Primária à Saúde no Distrito Federal.
Ampliando a graça
O trabalho do RiSUS em parceria com as equipes multidisciplinares das UBSs 01 e 02 da Estrutural iniciou em setembro de 2025, de forma independente. Em 2026, com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), a atuação do projeto foi ampliada no próprio território para reafirmar a cultura como prática de cuidado, prevenção e construção coletiva do bem viver. Entre abril e junho, serão realizadas 18 ações nas duas unidades.
Além das UBSs, o projeto apoiado pelo FAC-DF promoverá também cinco apresentações de palhaçaria em escolas públicas da Estrutural, com foco na saúde mental e em diálogo com o Programa Saúde na Escola (PSE). Em julho, durante a inauguração de uma nova UBS na região, será realizado um evento celebrativo aberto à toda a comunidade, com a participação de artistas locais, acessibilidade em Libras e Audiodescrição.
Idealizadores
Rebeca Torquato é arteira, brincante, palhaça e psicóloga. Formada em Psicologia pela Universidade de Brasília (2015) e em Psicodrama pela Associação Brasiliense de Psicodrama. Iniciou-se na palhaçaria em 2016 e vem atuando em hospitais, cortejos, intervenções e apresentações pela cidade.
Marcelo Nenevê é ator, diretor, educador e palhaço. Formado em Audiovisual e mestre em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília. É professor de Circo na UBT - Escola de Escalada e membro do grupo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro. Possui seu próprio circo, o Circo sem Lona.
Caroline Severiano é atriz, palhaça e produtora. Formada pela Escola de Palhaços dos Doutores da Alegria (São Paulo) em 2010, desenvolve sua pesquisa em comicidade contemporânea a partir do jogo, do erro, do exagero e do ridículo afetivo. Atuou e criou espetáculos em praças, ruas, teatros, hospitais, festivais e cabarés em diversas cidades do Brasil.
Palhaçaria e saúde integral
A arte da palhaçaria no campo da saúde é realizada em diversos países. Uma prática que transforma dor em alívio, com diferentes modos de aplicação. Segundo pesquisas, o riso tem efeito de relaxamento no sistema nervoso central. Além de prevenir males emocionais, ele vai onde os medicamentos não conseguem ir, atuando de forma afetuosa na vida de quem vive um percurso médico de tratamento ou de cuidado.
“Por relembrar a nossa humanidade, palhaças e palhaços já se mostraram especialmente potentes em espaços de relação sensíveis, como hospitais, zonas de conflito e áreas devastadas. É essa conexão que buscamos proporcionar com o nosso projeto”, explica Marcelo Nenevê.
SERVIÇO
Projeto RiSUS - arte, saúde e palhaçaria
Quando: abril a julho de 2026
Onde: UBSs da Cidade Estrutural e escolas públicas
Nas redes: www.instagram.com/risusdf

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