Condenação

Assassino de Thalita Berquó é condenado a mais de 29 anos de prisão

João Paulo Teixeira foi sentenciado por homicídio, ocultação de cadáver e corrupção de menores no DF

O crime ocorreu em 13 de janeiro do ano passado e contou com a participação de dois adolescentes -  (crédito: Material cedido ao Correio)
O crime ocorreu em 13 de janeiro do ano passado e contou com a participação de dois adolescentes - (crédito: Material cedido ao Correio)

O Tribunal do Júri condenou João Paulo Teixeira a 29 anos e 11 meses de prisão pelo assassinato e esquartejamento de Thalita Berquó. A sentença foi proferida nesta quinta-feira (14/5), após julgamento realizado no Fórum do Guará. O réu recebeu pena de 24 anos e 6 meses por homicídio qualificado, 1 ano e 7 meses por ocultação de cadáver e 3 anos e 10 meses por corrupção de menores.

O crime ocorreu em 13 de janeiro do ano passado e contou com a participação de dois adolescentes. Segundo as investigações da Polícia Civil (PCDF), Thalita foi morta com golpes de faca e uma pedrada no rosto após uma discussão relacionada à compra de drogas. Em seguida, o corpo foi esquartejado e teve partes descartadas na Estação de Tratamento de Esgoto da Asa Sul.

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Durante o julgamento, João Paulo admitiu ter ajudado a ocultar o cadáver, mas negou envolvimento direto no assassinato. Em depoimento, afirmou que dois adolescentes cometeram o crime e lhe ofereceram R$ 500 e 20 pedras de crack para auxiliar na remoção do corpo. “Eu cheguei no local e pediram para eu pegar um carrinho de mão e uma pá. Quando eu cheguei no local, o William estava todo cheio de sangue. Eu falei que eles não deveriam ter feito isso, que ia dar problema”, declarou. Ao relatar o que viu, João Paulo disse que o corpo da vítima já estava mutilado. “Tava todo cortado o corpo. Não sei como cortaram. Tinha uma faca na mão do William”, afirmou.

A versão apresentada pela defesa foi contestada pelo promotor de Justiça Gladson Viana, que classificou o caso como um dos crimes mais cruéis já registrados no Guará. Segundo ele, a tentativa de atribuir a responsabilidade aos adolescentes foi uma estratégia para afastar a culpa do réu. “Talvez seja o crime mais cruel e mais covarde ocorrido no Guará. Os restos da Thalita foram jogados no esgoto, o que demonstra o total desprezo pela vida dessa mulher. Para ele, a vida da Thalita não valia nada”, afirmou o promotor.

Viana também sustentou que o grupo eliminava pessoas que atrapalhavam o esquema de tráfico de drogas na região. “Estavam matando pessoas que deviam dinheiro, que atrapalhavam o fluxo do trabalho deles”, disse aos jurados. A defesa, conduzida pelo defensor público Ronan Ferreira Figueiredo, argumentou que não havia provas concretas da participação de João Paulo no homicídio e que o processo se baseava em relatos contraditórios de usuários de drogas. “Essa suposta solidez do caso não é tão consistente assim. Estamos falando de pessoas que estavam em um uso intenso de drogas”, declarou o defensor, ao pedir cautela na análise dos depoimentos.

Mais de 20 familiares e amigos de Thalita acompanharam o julgamento. Antes do início da sessão, parentes se reuniram em frente ao fórum para uma oração e levaram cartazes pedindo justiça. A mãe da vítima, Valéria Marinho, afirmou que a família ainda convive com o trauma causado pela brutalidade do crime. “A gente não teve uma aceitação normal porque o caixão foi fechado. Até isso eles tiraram da gente”, lamentou.

Partes do corpo de Thalita foram encontradas nos dias 14 e 15 de janeiro na Estação de Tratamento de Esgoto da Asa Sul, administrada pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal. O tronco foi localizado apenas em março, enterrado e enrolado em um cobertor, após um dos adolescentes indicar o local aos investigadores. Os braços da vítima nunca foram encontrados.

Um dos adolescentes envolvidos segue internado em uma unidade socioeducativa. O outro cumpre medida socioeducativa em regime de semiliberdade desde outubro do ano passado.

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postado em 14/05/2026 20:37
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