
Após quase 10 horas, encerrou a audiência de instrução e julgamento de Pedro Arthur Turra Basso, 19 anos, réu por homicídio doloso contra Rodrigo Castanheira, 16, no caso que ganhou repercussão nacional devido à brutalidade. Mais de 10 testemunhas de acusação e defesa prestaram depoimento em plenário, no Fórum de Águas Claras, além da oitiva prestada por Turra, nesta segunda-feira (25/5). A Justiça decidirá, posteriormente, se o caso vai a júri popular.
O ex-piloto de Fórmula Delta está preso desde 2 de fevereiro, após espancar Rodrigo durante uma briga. O crime ocorreu em 23 de janeiro e foi gravado por testemunhas. Às 9h desta segunda-feira (25/5), advogados do réu e de acusação, testemunhas e familiares entraram pela porta principal do fórum, onde, até pouco antes das 19h30, acompanharam atentamente a oitiva das partes.
Turra foi o último a falar, por cerca de uma hora e respondeu aos questionamentos em plenário. Advogado do réu, Paulo Suzano, detalhou. “Longe da defesa querer passar a mão na cabeça de qualquer conduta violenta. Em nenhum momento, ele abonou a conduta. Há provas, há vídeo, mas elas se amoldam a um tipo penal.”
O advogado sustentou o cuspe do chiclete como motivação da briga. “O desfecho foi essa fatalidade”, pontuou o defensor. Ao ser questionado sobre a participação de mais pessoas e a possibilidade da premeditação do crime, o advogado negou. “Das cinco pessoas que estavam no carro, apenas uma conhecia a vítima. O Pedro Turra nunca tinha tido qualquer contato com o Rodrigo”, sustentou.
A defesa de Turra requereu documentos técnicos da área da saúde que serão anexados posteriormente ao processo. Paulo Suzana estima a pronúncia do réu em três a quatro meses.
"Passo importante"
Na área externa do Fórum, o advogado Albert Alex posicionou-se ao lado da família de Rodrigo Castanheira para posicionamento à imprensa. Os parentes consideram o passo importante, mas clamam por Justiça e pedem que Turra pague pelos crimes que cometeu.
“Esse foi um dia importante para trazer justiça ao Rodrigo. Os familiares tiveram a oportunidade de olhar Pedro turra cara a cara, que não tem empatia com ninguém”, frisou o advogado ao detalhar a feição do autor no plenário.
O defensor desmentiu a história do cuspe do chiclete e alega outras motivações para o crime. Segundo Albert, há um mandante adolescente por trás da tragédia: “Pedimos a extração do material bruto dos celulares para um perito particular. Tivemos fragmentos de mensagens que apontam premeditação”.
Diante da família da vítima, alega o advogado, Turra hesitou em demonstrar qualquer arrependimento e demonstrou apatia perante os parentes. “Revirava o olho, mexia a cabeça e ainda disse que tudo era uma brincadeira. Temos fé que ele será pronunciado e condenado”, finalizou.

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