A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga o envolvimento de funcionários do Banco de Brasília (BRB) em um esquema de lavagem de dinheiro que teria utilizado uma agência localizada em Ceilândia como ponto de distribuição de recursos ilícitos. A suspeita é de que valores oriundos de fraudes com boletos bancários, praticadas em outros estados, tenham sido direcionados ao Distrito Federal e posteriormente fracionados em diversas contas.
Segundo o delegado Diogo Cavalcante, da Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCOR), a apuração começou a partir de comunicações internas feitas pela área de compliance do próprio banco. “A investigação foi iniciada no final de 2025, a partir de comunicações realizadas pela gerência de compliance do Banco de Brasília sobre irregularidades ocorridas em uma agência situada na cidade de Ceilândia”, afirmou.
Ele acrescenta que, a partir dessas informações, foi possível identificar a dinâmica do esquema. “Conseguimos delinear um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção ocorrido através daquela agência do BRB”, disse o delegado.
De acordo com a investigação, parte dos valores obtidos em fraudes com boletos bancários em outros estados teria sido transferida para contas abertas na agência de Ceilândia. A partir daí, os recursos passaram a circular entre diferentes pessoas físicas e jurídicas, em um modelo de fracionamento que, segundo os investigadores, teria como objetivo dificultar o rastreamento do dinheiro.
Durante a coletiva que aconteceu nesta quinta-feira (7/5), a Polícia Civil destacou ainda que foram identificadas movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo depósitos elevados, uso frequente de dinheiro em espécie e operações incompatíveis com a renda declarada dos investigados.
Também são analisados indícios de ocultação patrimonial. Entre os elementos levantados pela investigação estão a aquisição de bens de alto valor e a vinculação de um dos alvos a um imóvel em Águas Claras, no Distrito Federal.
A Polícia Civil afirma que o caso não tem relação com outras investigações envolvendo instituições financeiras. Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e em São Paulo, incluindo o irmão da ex-deputada federal Flávia Peres. As apurações seguem para identificar a extensão da rede de movimentação dos recursos e outros possíveis envolvidos no esquema.
