CB.Agro

Embrapa amplia pesquisas em combustíveis renováveis e baixo carbono

Alexandre Alonso, chefe-geral da Embrapa Agroenergia, afirma que Brasil reúne condições únicas para liderar transição energética com produção sustentável, inovação tecnológica e uso de biomassa agrícola

A Embrapa Agroenergia, está aprofundando pesquisas em expansão da agenda global de transição energética e descarbonização da economia. Em entrevista ao programa CB.Agro — parceria entre o Correio e a TV Brasília — o chefe-geral da unidade, Alexandre Alonso, afirmou que o Brasil ocupa hoje uma posição estratégica no desenvolvimento de biocombustíveis, bioeconomia e tecnologias de baixo carbono.

Durante conversa com os jornalistas Roberto Fonseca e Adriana Bernardes, Alonso destacou que a criação da Embrapa Agroenergia ocorreu em um momento em que o país buscava ampliar a segurança energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Segundo ele, duas décadas depois, a discussão ganhou novas dimensões e passou a incluir temas como mudanças climáticas, sustentabilidade e a industrialização.

“O Brasil já tinha experiência consolidada com o etanol desde os anos 1970. A partir dali surgiu a necessidade de ampliar a produção de biocombustíveis e estruturar uma agenda nacional de agroenergia. Hoje, além da segurança energética, discutimos transição energética, descarbonização e uma nova economia verde”, afirmou.

Alexandre ressaltou que o setor deixou de se concentrar apenas no etanol e no biodiesel e passou a incorporar uma série de novas alternativas energéticas. Entre elas estão o biogás, o biometano, combustíveis sustentáveis de aviação, diesel renovável e até pesquisas relacionadas à produção de hidrogênio a partir da biomassa agrícola.

“Há vinte anos falávamos basicamente de etanol e biodiesel. Hoje discutimos múltiplos biocombustíveis e múltiplos bioprodutos. A agenda se ampliou em relevância e também em escopo”, explicou.

Biogás no DF

Entre os projetos desenvolvidos pela Embrapa Agroenergia, Alonso destacou iniciativas voltadas ao Distrito Federal e ao Entorno. Uma delas envolve a instalação de biodigestores em pequenas propriedades rurais para transformar resíduos agropecuários em biogás e biofertilizantes.

Segundo ele, a tecnologia permite que rejeitos antes tratados como passivos ambientais sejam convertidos em energia e insumos agrícolas, reduzindo custos para pequenos produtores.

“O protótipo desenvolvido pela Embrapa custa menos de R$ 10 mil e pode gerar uma economia de quase R$ 3 mil por ano apenas com a substituição do gás de cozinha. Além disso, o biofertilizante produzido pode suprir mais de 70% da demanda nutricional de algumas culturas”, destacou.

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De acordo com o pesquisador, a proposta é tornar a tecnologia acessível e adaptável à realidade de pequenas propriedades, inclusive com possibilidade de uso coletivo, em modelo semelhante ao de cooperativas.

Outra frente de pesquisa envolve o desenvolvimento de novas variedades agrícolas voltadas à produção de biomassa e biocombustíveis. Alonso citou os estudos realizados com cana-de-açúcar e canola, cultura que vem sendo adaptada ao Cerrado para produção em segunda safra.

“A Embrapa fez no passado a tropicalização da soja. Agora estamos realizando algo semelhante com a canola. Já observamos crescimento significativo das áreas de produção no Entorno do DF, na Bahia e em outros estados”, afirmou.

Economia verde

Para Alexandre Alonso, o Brasil reúne condições únicas para liderar a chamada bioeconomia, principalmente pela capacidade produtiva da agricultura nacional e pelo avanço das práticas sustentáveis no campo.

Segundo ele, a agricultura brasileira desenvolveu ao longo das últimas décadas sistemas produtivos com menor pegada de carbono, o que fortalece a competitividade dos biocombustíveis produzidos no país.

“Os biocombustíveis promovem uma reciclagem do carbono. As plantas capturam esse carbono da atmosfera e, a partir delas, produzimos combustíveis renováveis. Quanto menor a pegada de carbono da agricultura, menor também será a dos biocombustíveis”, explicou.

O chefe-geral da Embrapa Agroenergia também ressaltou que a instituição tem apostado em modelos de inovação aberta, aproximando pesquisadores, indústrias, produtores rurais e startups para acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias.

“A gente reconhece que não detém sozinho todas as competências necessárias. Por isso, buscamos parceiros para cocriar soluções. Estamos formando um verdadeiro ecossistema de inovação em torno da agroenergia”, disse.

Segundo Alonso, a expectativa é que a combinação entre agricultura, ciência, indústria e inovação consolide o Brasil como referência internacional em energia renovável e produção sustentável nos próximos anos.

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