Homicídio

A 12 dias do júri, família de empresário morto por vizinho protesta por Justiça

Adriano de Jesus, 50 anos, foi morto a tiros, após uma disputa por vaga de estacionamento. O crime ocorreu em fevereiro de 2025

A 12 dias do julgamento de Francisco Evaldo de Moura, 56 anos, acusado de assassinar o empresário Adriano de Jesus, 50, após uma disputa por vaga de estacionamento, familiares e amigos da vítima promoveram, na manhã deste sábado (9/5), uma carreata em clamor por Justiça. O ato ocorreu em Samambaia Norte, onde a família de Adriano mora.

Com camisetas brancas, os manifestantes conduziram vans e ônibus escolar pela cidade, em homenagem à profissão de Adriano. Junto à esposa, ele coordenava uma empresa de transporte escolar, a TransLegal Transporte Escolar — Tia Elaine e Tio Adriano —, com deslocamento de alunos moradores de Samambaia Sul e Norte. 

A família espera pena máxima ao acusado e refuta a alegação de legítima defesa sustentada por Evaldo. O júri ocorrerá em 21 de maio. Segundo o advogado assistente de acusação, Marcos Akaoni, o processo lista quatro qualificadoras: motivo fútil, perigo comum, recurso que dificultou a defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito. "O primeiro passo é a condenação pelo júri popular, composto por sete pessoas da comunidade. Devido às circunstâncias narradas na denúncia e na sentença de pronúncia, a dosimetria da pena pode se aproximar dos 30 anos", explica o advogado.

O crime

Em fevereiro de 2025, o filho da vítima, Gabriel Ferreira, estacionou o veículo em uma vaga pública em frente à casa do agressor. Câmeras de segurança registraram o momento em que Francisco confrontou os vizinhos e sacou uma arma.

Adriano, que tentava apaziguar a situação, foi perseguido por Francisco. O empresário foi atingido por quatro disparos — dois no pescoço e dois no tórax — e morreu no local. O agressor fugiu logo após os tiros, mas foi identificado e preso posteriormente.

À época do crime, moradores da Quadra 408 descreveram Francisco como uma pessoa de perfil hostil, que frequentemente criava conflitos por questões territoriais na rua. 

Na ocasião, a família expressou o medo de permanecer no local e a dor de ver o legado de Adriano interrompido. Gabriel Ferreira, filho do casal, contou que o pai sempre foi seu maior incentivador, apoiando-o desde o sonho de ser jogador de futebol até o ingresso na faculdade de agronomia. Abalada, a família planejava se mudar da casa que Adriano havia construído com o próprio esforço, alegando que, além da insegurança, não suportariam conviver com as lembranças da tragédia no local.

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