'Precisamos acabar com as guerras e priorizar a paz', diz frei

Brasilienses se reuniram na Igrejinha para comemorar o dia de Nossa Senhora de Fátima para celebrar a santa que é uma das aparições de Nossa Senhora

Para celebrar Nossa Senhora de Fátima, fiéis reuniram-se, nessa quarta-feira (13/5), na Igrejinha que leva o nome da santa, na Asa Sul. Com missas solenes, confissões e bênçãos, brasilienses tiveram a oportunidade de homenagear a padroeira, que é uma das aparições de Nossa Senhora, mãe de Jesus, e conhecida pelas mensagens de paz, oração e penitência.

O frei capuchinho Moacir Casagrande conta que a santa é sua madrinha. A devoção veio da família, mas ela prosperou no impacto da padroeira em sua vida. Ele lembra que, quando tinha sete anos, sua mãe teve uma infecção grave que a levou a ser hospitalizada. Pai e filho passaram a noite rezando diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima. "Uma hora eu senti que a santa estava iluminando toda a sala. No dia seguinte, minha mãe acordou curada e sem sequelas", diz.

O frei, que passou o dia atendendo os fiéis, relata que muitos vieram agradecer pelo que a santa fez por eles. O religioso ressalta que, nessa data, é importante lembrar da mensagem de paz passada pela padroeira. "Hoje é um dia para pensarmos em acabar com essa beligerância e priorizarmos a paz", afirma.

Graças 

A devoção de Júlia Paiva, 33, por Nossa Senhora de Fátima também veio de família. Para ela, a padroeira é símbolo de fé. Ela conta que seu filho nasceu prematuro de 33 semanas com a síndrome de Prader-Willi, doença genética rara que leva a sintomas variados. Após passar 37 dias internado na UTI, foi no dia 13 de maio, há três anos, que o bebê recebeu alta. "Muitas graças foram derramadas na minha família", comenta. 

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Nessa quarta, ela acompanhou todas as missas na companhia do esposo e do filho, Bento José. O pequeno também teve a oportunidade de coroar a santa. Júlia lembra do recado deixado pela padroeira. "Ela deixou para nós o recado de rezarmos todos os dias. É o que eu faço", diz.  

A empresária Tatiane Araújo, 44, sempre foi devota de Nossa Senhora, mas a relação com a de Fátima é recente. Ela surgiu em 2020, quando Tatiane viajou com um grupo de casais de amigos para a cidade que leva o nome da santa. Ela relata que, ao chegar ao Santuário, com as paredes brancas e espaços arejados, sentiu uma espiritualidade diferente, de paz. 

Para marcar a data, Tatiane foi à missa na Igrejinha pela manhã. Ela conta que gosta de visitar o local, que carrega um pouco de Brasília e de contato com a natureza. Ela dedicou suas orações à virgem, considerada um colo e um exemplo. Tatiane é mãe de quatro filhos e gosta de se mirar nas virtudes, como carinho e esperança, características da padroeira. Em sua última gravidez, a empresária teve vários sangramentos. É a Nossa Senhora de Fátima que ela atribui a graça do nascimento saudável de seu bebê: "Sei que ele é filho do querer dela". 

Fotos: Ed Alves/CB/D.A Press -
Ed Alves/CB/D.A Press -
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História

Durante a Primeira Guerra Mundial, a santa fez sua primeira aparição. Na Cova da Iria, próximo à aldeia de Fátima, em Portugal, ela apareceu para três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta. Nos dias que precederam esse primeiro contato, o Anjo de Portugal avisou às crianças para intensificarem as orações e as penitências pelos pecadores de modo a prepará-las para receber a mensagem da santa. Assim elas fizeram e, no dia 13 de de maio de 1917, Nossa Senhora de Fátima apareceu vestida toda de branco e radiante de luz. Na ocasião, ela pediu para que os pastorinhos comparecessem no mesmo lugar durante seis meses seguidos. 

No primeiro encontro e nos que se seguiram, ela fez um apelo para que os três rezassem o terço, fizessem penitência e convertessem pecadores. O objetivo era alcançar a paz no mundo e encerrar a guerra. Na última aparição às crianças, ela realizou o Milagre do Sol, quando fez com que o sol tremesse e emitisse cores vibrantes. Dessa forma, a devoção foi ganhando o mundo, fazendo com que diversas pessoas rezem para que a santa espalhe suas graças. 

A devoção encontrou solo fértil em Brasília. É na Igrejinha de Fátima, cartão-postal da cidade, que fiéis podem se conectar com a santa. Inaugurada em 28 de junho de 1958, ela foi construída a pedido de Sarah Kubitschek, então primeira-dama, como forma de agradecimento pela cura da filha Márcia, que tinha um problema na coluna. A sugestão da promessa veio de Craveiro Lopes, presidente de Portugal à época.

Pensada para ser um grande santuário, os planos tiveram que se adaptar à necessidade que surgiu de uma igreja para o casamento da filha de Israel Pinheiro, presidente da Novacap, companhia responsável pela construção de Brasília. Devido ao limite de tempo, o prédio teve que ganhar dimensões mais simples. Assim, surgiu o primeiro templo religioso de alvenaria construído na capital. 

Símbolo do modernismo e da fé candanga, a igreja foi projetada por Oscar Niemeyer. O pintor Alfredo Volpi fez afrescos com bandeirolas e anjos para o interior do templo. No entanto, em uma reforma de 1962, eles foram cobertos por tinta. Em 2009, Francisco Galeno, inspirado pela obra de Volpi, fez uma nova pintura. No exterior da construção, é possível encontrar azulejos azuis, pretos e brancos de Athos Bulcão. Com a arquitetura em referência aos antigos chapéus de freiras, a Igrejinha foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2007 e é também tombada pela Unesco.

*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates

 


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