A menos de um mês da Copa do Mundo 2026, o mercado de turismo brasileiro está aquecido, com torcedores em busca de viagens para os países-sede do torneio: Estados Unidos, México e Canadá. No Distrito Federal, a movimentação é considerada intensa, levando agências, companhias aéreas e até autoridades consulares norte-americanas a ampliarem operações para atender à alta demanda.
Segundo a Associação Brasileira das Agências de Viagens do Distrito Federal (Abav-DF), o interesse por pacotes, passagens aéreas e hospedagens cresceu, significativamente, nas últimas semanas. As cidades mais buscadas incluem Miami, Nova York/Nova Jersey, Dallas e Los Angeles, nos Estados Unidos, além da Cidade do México e de Toronto. A maioria dos viajantes procura pacotes completos, que incluem passagens aéreas, hospedagem, ingressos para os jogos e experiências personalizadas.
O jornalista Rodrigo Bittar é um dos brasilienses que se organizaram para viver a experiência da Copa de perto. Apaixonado por futebol desde a infância, ele contou que acompanha a Seleção Brasileira e o Flamengo, clube do coração, desde criança e já esteve em outras edições do Mundial, como na Alemanha, em 2006, e na Rússia, em 2018, além de partidas realizadas no Brasil em 2014.
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“Eu sempre adorei futebol. A experiência de torcer nos estádios é única, por conta da energia positiva que cerca esse tipo de evento. A Copa do Mundo é a maior festa deste universo esportivo. Tenho amigos que compartilham dessa mesma visão e estamos sempre elaborando viagens. Algumas acabam se concretizando”, afirmou.
Rodrigo ficará 10 dias fora do Brasil e estima gastar cerca de R$ 13 mil na viagem. Segundo ele, o planejamento começou há bastante tempo. As passagens aéreas foram compradas com milhas, enquanto a hospedagem será dividida entre seis amigos que viajarão juntos para os Estados Unidos. O principal desafio, no entanto, tem sido garantir ingressos para os jogos. "Estão extremamente caros. Até agora, só consegui garantir um jogo, entre Curaçao e Costa do Marfim, mas a intenção é obter outros quando e se os preços baixarem. Caso não seja possível, o jeito será assistir às partidas em bares ou nas fanfests", explicou.
Outro torcedor que já vive a expectativa do Mundial é o professor e servidor federal Pedro Cavalcante. Ele vê a Copa como a combinação perfeita entre esporte e turismo. "Eu sou fanático por futebol e tento associar viagens com experiências esportivas. Copa do Mundo é o evento preferido de muitos países, é uma mobilização gigantesca e sempre busco viver esses momentos", contou.
Pedro irá para a sexta Copa do Mundo. Ele já esteve nos Mundiais da França, Alemanha, Brasil, Rússia e Catar, e conta que o planejamento começou ainda no ano passado. O roteiro já está definido, mas a maior dificuldade também está relacionada aos ingressos. "Pela primeira vez nessas seis Copas, eu estou viajando sem ingresso por enquanto, mas na esperança de conseguir lá. Sempre conseguimos. Os estádios são muito grandes, então, eu duvido muito que estejam totalmente lotados", aposta.
Pedro viajará com a esposa, as filhas, irmãos e amigos. O grupo reúne mais de 20 pessoas de diferentes estados brasileiros. Parte da família ficará dez dias nos Estados Unidos, enquanto ele permanecerá por 15 dias para acompanhar jogos da primeira fase da Seleção Brasileira. "Copa é viagem de galera. Sempre vou para a Copa com minha esposa, amigos e familiares. Dessa vez, vamos nos encontrar com pessoas que estiveram conosco no Catar e na Rússia. É sempre emocionante participar desses momentos históricos", relatou ele, que estima um investimento médio de aproximadamente R$ 15 mil por pessoa, sem considerar possíveis gastos extras com ingressos.
“É como uma viagem em alta temporada. Se você adiciona o ingresso, é como se fosse uma viagem para a Disney pagando os centros de parque. Mas não é muito caro se você fizer um planejamento”, avaliou.
Voos
Para atender à demanda, o Aeroporto Internacional de Brasília contará com 172 voos extras para os Estados Unidos durante a alta temporada de inverno, entre junho e agosto de 2026. A ampliação será realizada pela GOL Linhas Aéreas, que opera voos regulares e diários para Miami e Orlando. A companhia informou que irá aumentar em 71% sua oferta de voos para os destinos norte-americanos durante o período da Copa e das férias escolares de julho.
Ao todo, serão 412 operações entre voos regulares e frequências extras. As operações adicionais começam em 3 de junho e seguem até 10 de agosto. Na rota Brasília-Miami, haverá um novo voo diário extra, totalizando duas decolagens por dia, além de frequências adicionais às terças-feiras e aos sábados. Entre 20 de junho e 8 de agosto, a operação poderá chegar a até três voos diários para Miami. Na rota Brasília-Orlando, a companhia também ampliará as frequências para absorver o aumento no fluxo de turistas e torcedores com destino à Flórida.
Passagens de ida para Miami saindo de Brasília aparecem a partir de R$ 2.664 por passageiro em voos diretos. O trecho de retorno pode ser encontrado a partir de R$ 2.492. Para Orlando, os valores de ida partem de R$ 2.669, enquanto o retorno custa a partir de R$ 2.574, considerando voos com conexão em Miami.
Vistos
Com a expectativa de receber milhões de visitantes durante a Copa do Mundo, os Estados Unidos também iniciaram uma operação especial para facilitar a entrada de turistas estrangeiros no país. Segundo a Embaixada dos Estados Unidos, o Departamento de Estado norte-americano lançou, em 20 de janeiro, o sistema FIFA Priority Appointment Schedule System (Fifa Pass), voltado para portadores de ingressos da Copa que necessitam de visto.
O programa oferece prioridade no agendamento de entrevistas consulares para torcedores, incluindo brasileiros. O governo norte-americano também informou que reduziu os tempos médios de espera para entrevistas. Atualmente, em mais de 80% dos países, os solicitantes conseguem agendar atendimento para visto de visitante em menos de 60 dias.
Apesar da flexibilização operacional, as autoridades reforçam que os critérios de segurança permanecem rigorosos. Durante a entrevista, o solicitante deverá comprovar que atende aos requisitos do visto, respeitará as leis norte-americanas e retornará ao país de origem após o evento.
Há, ainda, outra recomendação por parte das autoridades brasileiras. Como os Estados Unidos enfrentam um dos piores surtos de sarampo registrados nos últimos 30 anos, é preciso que os viajantes vacinem-se contra a doença. Além do sarampo, a caderneta de vacinação deve estar atualizada também com a febre amarela. "Os viajantes devem tomar uma dose pelo menos dez dias antes da viagem", informou a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).
