Projetos têm foco na transição energética e descarbonização da economia

Evento da Embrapa Agroenergia apresentou três projetos sobre possíveis investimentos em um futuro sustentável

À frente das principais pesquisas em bioenergia e transição energética no Brasil, a Embrapa Agroenergia anunciou três novos projetos na ciência pública, que objetivam conectar a agricultura à indústria, com matéria-prima renovável. Na cerimônia de 20 anos da instituição, as três iniciativas foram celebradas pela sua efetividade em angariar milhões em investimentos. O foco delas é a descarbonização da economia,  processo que visa reduzir a emissão de gases de efeito estufa nas atividades econômicas.

O trio de pesquisas visa criar uma base tecnológica para trabalhar a transição energética no país, por meio da valorização da agricultura tropical brasileira. Segundo o chefe de pesquisa e desenvolvimento do centro de pesquisas, Bruno Laviola, a ideia é transformar a matéria-prima verde em produtos que podem substituir aqueles que são de origem fóssil. "É com essa substituição gradual que nos colocamos no caminho da transição energética. Até porque a gente não quer simplesmente acabar com o petróleo e colocar outro material", descreve o pesquisador.

Leia também: Embrapa Agroenergia, 20 anos de ciência para a bioeconomia

Além do cargo de chefia, Bruno também está à frente do projeto Mapeamento do Potencial de Expansão da Canola como Cultura de Segunda Safra no Brasil (MapCanola), anunciado na cerimônia. Com o intuito de atender à demanda por novos biocombustíveis, a iniciativa é um mapeamento do potencial das áreas de logística, e regiões mais propícias para incluir a canola como uma segunda safra.

Nessa segunda safra, que é o cultivo realizado logo após a colheita da safra principal, seria aproveitado o mesmo ano agrícola e a mesma área de plantio para produzir uma cultura de ciclo mais curto — no caso da canola, o ciclo tende a durar entre 90 a 110 dias.

Ed Alves CB/DA Press -
Ed Alves CB/DA Press -
Ed Alves CB/DA Press -
Ed Alves CB/DA Press -
Ed Alves CB/DA Press -

De acordo com o pesquisador, o plano da iniciativa é aumentar a produção dessa matéria-prima, que é uma oleaginosa, como opção de produção de óleo mais sustentável. "O diesel renovável e o combustível sustentável de aviação são alguns deles", exemplifica Bruno. No momento, o projeto conta com um investimento de R$ 3,3 milhões, oriundo de verbas regulatórias pela Lei nº 9.478/1997.

Leia também: Pesquisa da UnB busca embasar pedido de Indicação Geográfica para o café do DF

Outro projeto apresentado na cerimônia foi o "Centro temático para desenvolvimento de soluções integradas voltadas à transição energética a partir da agricultura" (BioInova). Guy de Capdeville, pesquisador à frente da iniciativa, explicou que o plano estratético trabalha para desenvolver soluções científicas que ampliem a contribuição da agricultura brasileira na descarbonização da economia.

Os pesquisadores trabalham na produção de biomassas de interesse energético, dedicadas à produção de biocombustíveis. A ideia é que ela se tornem as novas moléculas sustentáveis, para substituir as de origem fóssil, gradualmente. "Nós estamos trazendo a biologia para nos ajudar a produzir a matéria-prima e isso faz com que a gente reduza o impacto ambiental", descreve Guy. 

Os insumos obtidos nessas pesquisas são fontes renováveis e menos poluentes, capazes de produzir etanol, biodiesel e outros combustíveis que emitem muito menos dióxido de carbono (CO²) do que os derivados do petróleo. "São fontes de moléculas que não tem emissão. Isso já o trabalho de descarbonização", detalha o pesquisador.

Dessa maneira, ao serem produzidas e utilizadas, elas não emitem gases que impactam a atmosfera, causando o efeito estufa e o próprio aquecimento global. A iniciativa terá um financiamento recorde de R$ 14 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos.

A redução do uso de fertilizantes químicos também é englobado entre as pesquisas. Com a Plataforma de Desenvolvimento e Validação de Bioinsumo, a Embrapa Agroenergia está desenvolvendo protótipos de insumos, com o intuito de validar soluções em escala agrícola e industrial. Segundo o pesquisador João Almeida, coordenador do projeto, a plataforma reúne universidades, institutos de pesquisa e empresas interessadas em validar organismos com potencial de uso no campo.

Leia também: Embrapa amplia pesquisas em combustíveis renováveis e baixo carbono

Os bioinsumos agrícolas são compostos por microrganismos capazes de estimular o crescimento das plantas e aumentar a disponibilidade de nutrientes no solo. "O projeto permitirá avaliar bactérias, leveduras e fungos filamentosos ainda em fase de estudo, antes da chegada ao mercado", destaca o pesquisador. A proposta é acelerar a etapa intermediária entre o laboratório e a produção comercial, possibilitando testes em casas de vegetação e campos experimentais em culturas como soja, milho e cana-de-açúcar.

A pesquisa busca reduzir a dependência de fertilizantes e defensivos químicos por meio do chamado manejo integrado das culturas, combinando soluções biológicas e químicas de forma mais equilibrada. Além de diminuir impactos ambientais, a expectativa é ampliar a sustentabilidade da produção agrícola, reduzir a necessidade de importação de fertilizantes e contribuir para alimentos produzidos com menor impacto ambiental e sanitário.

Mais Lidas